quinta-feira, agosto 30, 2007

Se eu pudesse traduzir-me numa imagem hoje...


... era assim.


Cansada. Melancolica. Meia apática de repente.

Deve ser da mudança. Novo poiso. Se calhar é nostalgia.

Não sei mas estou assim a modos que tristonha e solitária.

E nunca mais acaba a semana...

E 27 de Setembro? Ainda falta muito?

segunda-feira, agosto 27, 2007

Máscara(s)


E dizia-me uma amiga há pouco que tenho de dançar ao ritmo da música que me dão... Queria com isto dizer que ser verdadeira não me trás vantagem nenhuma, muito pelo contrário. E eu sei que infelizmente ela tem razão. Na prespectiva da sociedade, verdadade, verdadinha. Por isso é que tantas vezes me sinto tão estranha, tão encolhida em mim. Estas pessoas todas representam um papel, usam uma máscara para ocasiões diferentes e consoante a pessoa a interagir.Há demasiados silêncios sufocados por estas máscaras. Eu faço o mesmo, certo, mas não quer dizer que goste. Mas ainda assim sei que sou transparente, que fingo e minto muito mal e que por causa disso muitas vezes assusto os que me rodeiam.

Isto a propósito de um desabafo no msn com uma amiga que está em Portugal. Perguntava-me ela porque é que não tinha escrito nada ultimamente(além do blog), e eu a dizer-lhe que há alturas em que não me sai nada, o que quer dizer que há alguma coisa que não está bem. Costumo escrever por impulso, muitas vezes de uma forma um bocado descontrolada, tanto que por vezes só depois de escrever e ler o texto com cuidado para corrigir possíveis erros, me apercebo do que realmente quis dizer ou do que estava a sentir. Um pouco como neste momento... E dizia-lhe eu que me sentia um bocado triste e frustrada. Um paradoxo na minha vida. O trabalho corre-me bem, encontrei novos amigos e agora, até já encontrei casa! Mas continuo a sentir que uma parte de mim está adormecida. Não que seja por minha vontade, porque o que eu muito queria era poder ser eu plenamente. Mas neste momento não é possível, e não sei quando será. Descobri que continuo a "assustar" os outros com a minha forma de sentir, que sou demasiado pura em muita coisa e que por causa disso vou sempre magoar-me mais. O meu coração é assim e eu vou atrás, apesar de muitas vezes querer demonstrar o contrário, isso sou só eu a tentar dançar ao ritmo do mundo. Sou eu a fingir que alinho no jogo, só porque sei que não sou a única que sente isto. Um dia destes pode ser que encontre alguém que realmente queira ver essa parte de mim que agora está escondida. Essa parte de mim que anseia por dar, e por se dar. Alguém que não tenha medo de se dar também, que queira arriscar. Alguém que me "veja", que queira partilhar. Alguém que consiga discernir para lá do comum, para lá do que toda a gente diz, sente e pensa. Alguém que não tenha para me dizer que só me vê como amiga. Disso tive a minha vida toda e ainda bem, quer dizer que muita gente me considera amiga. Mas também tenho direito a mais. Mereço mais.

E com esta conversa, acabámos as duas a fazer planos para a minha ida a Portugal, já daqui a um mês. Ainda falta um mês... e eu já com as lágrimas nos olhos, como habitual e ela a dizer-me para eu me preparar porque temos que pôr mais de 3 meses de conversa em dia! E o meu coração ficou apertadinho... Já faltou bem mais.

E só para finalizar, e como já referi de passagem há umas linhas atrás, já tenho casa. Pois é, o moço lá decidiu que eu até tinha bom ar e ligou-me hoje a confirmar que o quarto é meu a partir desta semana. Amanhã ajusto pormenores e fico com a conta bancária mais magrinha, mas já vou ter o meu cantinho. Um alívio portanto. Além disso, para fazer a mudança só preciso de me meter no elevador, andar um pouquinho com a trouxa atrás e estou na minha nova casa. Pois é, vou ser vizinha aqui dos meus anfitriões. Saio do 26 para ir viver no 11. Pelo menos compensou ter estado tanto tempo para decidir o que fazer. Fico perto dos amigos e do trabalho, não posso querer melhor.

E agora, vamos a dormir, ou tentar, que amanha(hoje), tenho de trabalhar.

Hasta!
P.S. E vou tentar que as minhas máscaras sejam a cada dia que passa mais transparentes.

domingo, agosto 26, 2007


Já não sei porque ainda me surpreendo. Melhor, nem sequer é surpresa, é o espanto de quem ainda acredita, apesar de tudo. Ás vezes a ingenuidade tolda-me a percepção da realidade. Sinto as coisas com o coração aberto e tudo, mas mesmo tudo me afecta. Sou ainda incapaz de ser com a cabeça. Nunca serei daquelas pessoas frias e distantes que parecem distantes da vida. Sei que ás vezes pareço distante mas é puro engano. É tudo insegurança e medo. É tudo uma vontade imensa de sugar a vida, com o coração a tremer e as mãos sedentas do toque...
Lágrimas só me aumentam a sede, a saudade e a tristeza. Faço-me de forte porque lá fora o mundo continua sem mim. As nuvens passam à velocidade desta batida infernal dentro do peito e já nem as gargalhadas cheias dos amigos me chegam. Os ouvidos estão surdos, as mãos paralisadas dentro dos bolsos, o olhar cheio de água, os passos apressados que querem fugir.

Nothing I can do, nothing I can say. I'm always here. Heart open, heart broken. This is my truth, no need to tell me yours, I already know it, it's the same last time.
Noboby really sees me, but everyone thinks that knows me.

terça-feira, agosto 21, 2007


Sem acentos, e vai mesmo assim. So para dizer que vou hoje ver um quarto, que espero, seja a minha nova casa nos proximos tempos! E fica ja aqui perto, e perto dos meus amigos, just next door. Desejem-me sorte!


Hasta!

domingo, agosto 19, 2007

Domingo

Cada vez gosto menos dos domingos. Domingo em Portugal era sinónimo de dia passado no sofá, literalmente a vegetar. É um daqueles dias em que só me apetecia ficar quietinha no meu canto, e quanto muito saía um pouquinho à noite para um café com os amigos para uma conversa mais amena. Mas desde que cheguei a Dublin os domingos passaram a significar solidão. Detesto esta sensação, como se estivesse a desperdiçar alguma coisa. Ficar em casa, a olhar para ontem e a desejar ter os meus amigos aqui, pelo menos para matar esta sensação que me dói no peito. Fiz outros amigos aqui, disso não posso queixar-me, mas ao domingo está tudo para o mesmo. Deve ser mal geral.
Agora estamos todos cá em casa. É este sentido de união que vai tornando as coisas mais fáceis à medida que os dias passam. O pessoal junta-se e vai jogando conversa fora, bebendo uns copos, ou, neste caso, um cafezinho português, uns jogos de Pro Evolution Soccer e comer uma chouriça bem portuguesa, acabadinha de chegar lá do nosso cantinho à beira-mar plantado. Um vinho bom a acompanhar e está o convívio organizado. Não fossem estes momentos e era tudo muito mais difícil.
E agora deixo aqui a música do fim-de-semana, a que me põe mais bem disposta e que apesar de já ter uns anitos, me animou muitas e muitas noites. E porque não hoje também?
Hasta!
Seven Nation Army - White Stripes(2003)
AH! Já me esquecia de fazer um comentário. O Benfica ontem parecia o Alegre Unido a jogar nas regionais( o clube da minha freguesia)!! Uma anedota! E mais não digo porque sinceramente fiquei sem mais palavras... Uma nódoa. E o Vieira que não venha com desculpas e teorias da conspiração de vão de escada. Se eu não gostasse tanto da bola...

quinta-feira, agosto 16, 2007

Sem nome...


Como chamo a isto?


Que coisa...! Já não escrevo nada há uns tempos, assim alguma coisa que me apeteça mesmo. A bem dizer, nem sei muito bem o que me apetece, ou se me apetece.

Estou assim à beira da minha imaginação, ou melhor, do meu sentir. Como se me estivesse a ver de fora.

Diz-se que só se sente falta das coisas quando já não as não temos. De acordo. Então e o que nunca tivemos? Então e sentimentos, também funciona da mesma maneira? Suponho que da forma que se possuem as coisas não se possa possuir sentimentos. Então e se não há essa coisa da posse com os sentimentos, então... Sinto coisas novas, coisas antigas, coisas do agora e coisas do antes. Ás vezes estou triste, abandonada a uma transparência muda do meu coração, ás vezes fico feliz, um raio de sol basta-me. Mas também basta uma gota de chuva e um empurrão da saudade. Ai saudade! O meu peito abre-se ao pranto. Acordo com o sabor da distância, o som do horizonte. Construo castelos de palavras para entreter a vontade de adormecer a vida.

Sinto, muito... Gostava de ser diferente, de não sentir a batida e o encantamento, de ser mais fora do que dentro. Não queria sentir isto... isto a que não sei dar nome.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Wishes

Pearl Jam - Wishlist(1998)
"I wish I was a neutron bomb for once I could go off
I wish I was a sacrifice but somehow still lived on
I wish I was a sentimental ornament you hung on The Christmas tree
I wish I was the star that went on top
I wish I was the evidence
I wish I was the grounds For 50 million hands upraised and open toward the sky
I wish I was a sailor with someone who waited for me
I wish I was as fortunate as fortunate as me
I wish I was a messenger and all the news was good
I wish I was the full moon shining off a Camaro's hood
I wish I was an alien at home behind the sun
I wish I was the souvenir you kept your house key on
I wish I was the pedal brake that you depended on
I wish I was the verb 'to trust' and never let you down
I wish I was a radio song, the one that you turned up
I wish... I wish... "

sábado, agosto 11, 2007

Não posso...


Não! Não posso...

E mais não digo...

sexta-feira, agosto 10, 2007

E se...


E se me apetecer:

- ser feliz, um bocadinho...

- sorrir, muito, muito, com a alma...

- beliscar-te devagarinho para sentires o meu toque...

- desejar-te...

- ser tola...

- deixar de ser parva e fazer o que me apetece...

- gostar de ti...


Posso?

quarta-feira, agosto 08, 2007

If you could...

Aimee Mann - Save Me(1999)
But can you save me
Come on and save me
If you could save me ...

segunda-feira, agosto 06, 2007

Stop whispering, start shouting!

Hoje há:

- chuva de melancolia e frio para o aconchego;
- o fumo de um cigarro entre os dedos sedentos do toque;
- um desejo saído da confusão ébria;
- uma vontade sem caminho;
- silêncio:
- uma canção para me embalar.

Radiohead - Stop Whispering (1993)

Futebol e azar, muito azar


Vou então falar um pouquinho com o senhor. Sim, que um dos meus amigos diz que quando venho ao meu blog, venho falar com o senhor, sendo o senhor o meu blog, obviamente, nada de conotações religiosas por favor.

E eu já não vinha falar com o senhor há uns dias.

Foi uma boa semana. O trabalho vai correndo bem, vontade de melhorar muito mais. Bom ambiente, bons colegas.

Quarta-feira, jogo da bola. Pois, eu agora não quero outra coisa. Mas desta vez tive azar. Fomos jogar para um relvado para o qual não estava devidamente equipada. Não tenho chuteiras, jogo com umas sapatilhas velhotas da Pull & Bear que, obviamente, são tudo menos adequadas para jogar futebol na relva. Para ajudar, o relvado estava molhado e tinha sido cortado há pouco, tendo ficado as aparas soltas. Resultado: 5 minutos depois estava estatelada ao comprido e tinha uma dor muito manhosa na virilha direita. Não há mais jogo para ninguém. Doía para andar, quanto mais para correr ou chutar. E não fui a única. O meu colega de casa também fez uma lesão num músculo e também acabou a ver os outros do lado de fora do campo. Os irlandeses do costume lá estavam para nos desafiarem e parece que ficou acordado um joginho para todas as quartas-feiras.

E na onda do futebol, sexta-feira era dia do grande desafio Itália-Portugal, com direito a aposta e tudo. A equipa perdedora teria que afixar um poster da selecção vencedora. Um desafio interessante que os nossos portugas estavam ansiosos por disputar. E eu que estava toda contente por ir dar apoio... Sim, porque não houve jogo. E porquê? Porque parece que nesta cidade, fora do centro, se tiveres que ir a algum lado e não der para ser de LUAS, então as alternativas são poucas. Ou vais a pé, o que para o caso não dava muito jeito porque era longe, ou de táxi, que fica mais caro, ou de autocarro, que pensámos todos, seria a opção mais viável. Pois... O autocarro que passou primeiro, segundo o motorista não passava onde queríamos ir. Logo a seguir, o rapaz que estava na paragem diz-nos que não, que aquele autocarro, que entretanto foi embora, era o que nós queríamos. Pois é, mais 45 minutos de espera e de autocarro, nada. E quando o tempo começou mesmo a apertar, toca de chamar táxis. Opção mais lógica pensámos nós... Mais uma vez sem sorte. Conclusão: nada de jogo. Assim se perde uma disputa por falta de comparência.Alguém falou em azar?? Cúmulo! Como é possível que uma pessoa precise de um transporte e a única coisa com que pode contar é com as pernas?... É no mínimo ridículo. Para não falar no facto que os meus colegas ficaram muito mas muito chateados.

Ontem foi dia de compras e de jantarinho em casa dos amigos aqui do lado. Muita cerveja e muita conversa e já fui dormir com o dia a nascer.

Hoje, umas comprinhas para me equipar para o futebol(lá estou eu outra vez), e resto do dia para o descanso. E amanhã lá vamos nós outra vez para mais uma semana de trabalho. E a chuva voltou! E em Portugal está um calor abrasador! E as pessoas estão de férias, na praia...

E agora vou dormir que já são horas.


Hasta!

terça-feira, julho 31, 2007


Hoje estou assim. Á deriva, embalada pelo vento e pela brisa dos sons das vozes à minha volta. Virei do avesso e não sei porquê... Suponho que seja da saudade e de uma falta imensa dentro do peito.

Sem mais palavras hoje.

O que eu mais queria hoje, não posso ter...


Até amanhã.

segunda-feira, julho 30, 2007


Mais um fim-de-semana díficil... Despedida de um dos colegas que vai voltar para Portugal, muita cerveja e muita conversa à mistura, e um domingo letárgico, para não variar muito dos demais.

Já cá estou há exactamente 50 dias, faz amanhã 51. Parece pouco, mas a mim sabe-me a um ano. Quando falo com alguém em Portugal, seja a família ou amigos, sinto uma comichão no coração, uma aflição disfarçada, uma sensação que faço por esquecer no dia-a-dia mas que me faz uma visitinha nos momentos mais tranquilos.

Fui hoje perder um pouco do amor que possa eventualmente ter ao dinheiro que aqui tenho ganho, e fui gastar uns bons euros num belo dum par de sapatos. Lindos digo eu... E o dinheiro que me custaram também, mas adiante. Estava eu a dizer, que lá fui ao centro comercial mais próximo, e como é habito, lá fui apanhar o LUAS, metro ou eléctrico, como lhe queiram chamar. E é sempre quando faço essa viagem, curtinha, que me lembro das coisas que me estão mais distantes e ao mesmo tempo mais próximas, vivas dentro de mim. O mais fácil é esquecer-me delas durante o dia. Há inúmeros elementos de distracção. O mal mesmo é quando me apanho sozinha. Não que seja tristeza ou desespero. É uma saudade tranquila, que aperta o coração e em alguns momentos me chega a lágrima ao olho. Nada que não possa controlar. E lá fui eu no LUAS, para pegar no telemóvel e receber uma mensagem vinda lá do país do sol, uma mensagem para me aquecer o coração, para me fazer ter vontade de largar tudo e ir a correr de volta, uma mensagem para me fazer desejar com todo o coração que um telefonema mude a vida de alguém assim como mudou a minha... Uma mensagem que não diz nada mas que me fez encher o dia de sol, pelo menos o resto do dia. OBRIGADA!

Agora tenho que dizer até já a um amigo recente. Não gosto de despedidas, detesto-as. Dizer adeus é pôr fim a algo. Não quero dizer adeus a nada na minha vida, muito menos a pessoas a quem quero bem, muito bem. É um até já, igual aquele que deixei aos meus quando parti.

E depois vou dormir que amanhã é outro dia!

Hasta!

Ah, e hoje, milagrosamente, não choveu!

sexta-feira, julho 27, 2007




I look at the sky and wonder what's next...

Ok, eu sou uma gaja que gosta de desafios. Eu meto-me logo à frente quando me desafiam, e quando não, chego-me eu à frente. Pois é, e depois tenho de cumprir. Isto porque, e como eu já antes tinha referido, ando há uns tempos a chatear os gajos para eles me deixarem ir com eles jogar à bola. Pois depois de tanto pedinchar, na quarta-feira lá me fizeram a vontade. E lá vou eu toda contente, equipada a rigor para um desafio entre a comunidade masculina tuga, leia-se, meia dúzia de gatos pingados que de vez em quando se juntam para demonstrar uns aos outros como é que se joga. E eis senão que há um grupo de locais, irlandeses, que nos perguntam se nós aceitamos jogar contra eles. E é claro que nós não dissemos que não. Então lá vai disto!
Tenho a dizer que sou uma pata choca. Literalmente. Eu bem que me esforço, mas as minhas habilidades futebolísticas são muito fraquinhas. Ainda consigo atrapalhar os adversários e tal, mas pouco mais. Nem um golinho, nem um! Ao menos tenho o consolo de ter feito exercício físico. Desde que vim de Portugal que não faço absolutamente nada, à excepção das caminhadas diárias para o trabalho. O que é muito pouco para o que eu estava habituada. Duas visitas semanais ao ginásio. Que saudades que tenho das minhas aulas de step e localizada. Mas como eu estava a dizer no início, isto de ser uma gaja sempre disposta a desafios tem que se lhe diga. Por isto tudo, agora estou toda partida... Pois, doem-me os músculos todos. Quando me levantei hoje parecia que tinha sido atropelada por um camião. E se fico sentada mais do que 15 minutos está tudo estragado. Pareço uma velhinha a caminhar. Consequências, consequências. Mas como eu não me fico, para a semana, se eles me deixarem, claro, há mais!! Agora vou apreciar a conversa e provar o jantar. Hasta!

quarta-feira, julho 25, 2007

Oh, so sexy!

Morphine - Honey White
Quase me tinha esquecido deste som, desta maravilha.
Sexy, so sexy Mr. Sandman!! O mundo da música ficou bem mais pobre sem este senhor.
Enjoy!

Tenho uma aversão-atracção por multidões. Por vezes entro em sítios com muita gente e sinto-me mal, dói-me a cabeça, parece que sou transportada para outro mundo, esqueço-me de mim... Outras vezes preciso dessa confusão, desse desnorte, da perda da noção do espaço e do tempo, de me misturar entre outros mundo, de me fundir na azáfama das ruas.

Isto porque hoje, saída do trabalho, me meti no metro e fui até ao centro da cidade. Simplesmente para me entrosar na multidão. A sensação é sempre a mesma. Esqueço-me de mim, deixo de ser corpo e passo a ser o que me rodeia. Absorvo tudo. É engraçado, as pessoas com que me cruzo, de todas as cores e tamanhos, são tão iguais a mim. Vejo isso nos olhares. Não importa de onde vimos e para onde vamos. Não importa a língua que falamos, o trabalho que temos, a casa onde moramos, somos todos iguais na essência.

E depois há um silêncio que se instala dentro de mim. Como se o ruído à volta desaparecesse e a única coisa que ouço é o bater do meu coração e as imagens a mudarem á minha frente.

Perco-me, volto a encontrar o caminho, para me voltar a perder novamente.

E a cada passo que dou sinto-me mais cheia, mais preenchida. Pena não ter com quem partilhar esta força que me inflama os sentidos...

Como posso não estar apaixonada por esta cidade?

segunda-feira, julho 23, 2007

After all


Fim-de-semana díficil, mui díficil... Ainda estou a recuperar.

Agora sim sinto o sabor da saudade, o sentido do contrário, da inconsciência do que se tem por garantido. Sinto-me um pouco perdida, mas ainda assim com os pés bem assentes no solo. As lágrimas já cá moram, mas isso não surpreende ninguém, pelo menos quem me conhece. Os outros alarmam-se, para logo se esquecerem. Faço por isso.

Custa a separação, mas custa mais o que é novo, o incerto. Custa esta solidão preenchida de coisas e pessoas novas. Gostava de ter já a capacidade da renovação, mas penso ser ainda demasiado cedo para o meu coração.

Este meu coração grande e ás vezes tolo. Eu sou sempre com o coração, não sei outra verdade.


After all...
After all that I've been trough, I can´t be anything but happy...

quinta-feira, julho 19, 2007

Olha


Olha o caminho á tua frente. Olha a lua, lá vai ela, alta na sua incerteza. Olha a estrada sem fim, o percurso da tua imaginação. Olha a força que queres ignorar. Olha o céu cinzento a provocar-te. Olha a injustiça do que pensavas que não podias mudar. Olha-te. Olha-te lá fundo dentro do escuro. Sente o silêncio da nossa ausência.

Olha. Mas faz um esforço para ver.

Olha. Eu já sei. Será que vês?

quarta-feira, julho 18, 2007

Se eu esticar a ponta da minha esperança até ao céu, será que amanhã acordo com os olhos vestidos de alegria?
É que hoje apetecia-me mesmo era dançar. E cantar um pouco também. E dormir encostada a ti.
Eu não queria ir fechar o olhos, mas o corpo está a pedir umas horas de introspecção, não o consigo combater.
Se eu deixar o meu coração voar, será que amanhã ele depois volta para mim ainda mais cheio?
Eu quero dizer que sim. A minha boca deseja dizer que sim.
Daqui a um instantinho pisco os olhos e já sei.

segunda-feira, julho 16, 2007

I'm in love with Dublin!!


Estou extasiada! Este sentimento que me faz viver apaixonada!! Por Dublin, por esta cidade fantástica, pelas pessoas e principalmente por este sentimento que me assola o peito e o olhar! Não há sentimento no mundo mais intenso que esta doce parafernália de cores e cheiros. Tudo nesta cidade me faz vibrar. Junto-me no meio da multidão e sinto-me viva! Há muito tempo que não sabia o que era isto, este ser mais puro em mim, esta sorte de perfeição estúpida que se embrenha na minha pele e no meu gosto.

Sabem uma coisa engraçada? Hoje percebi que posso ser eu sem medo... Há coisas que só nos atingem quando em situações extremas. Antes de pisar este chão, eu achava que me podia sentir plena em mim com aquilo que via e com aquilo que sentia. E agora, aqui, percebi que sou mais eu sem medo daquilo que o mundo possa achar de mim. Sou mais pura sem constrangimento do ser. Isto é liberdade. Rir do impossível e ainda assim ele me vir beijar os pés.

Acho que agora preciso de dormir...

Hasta!!

quarta-feira, julho 11, 2007

"Uma longa viagem começa com um passo"*


Passam os dias, passa a chuva à beira do meu caminhar. Passeia-se o vento no meu cabelo como a querer brincadeira e eu enxoto-o, desafio-o. Anda! Faz-me frio na pele, faz-me correr!

Engano essa coisa a que chamam saudade com a boca fechada. Engano a falta que me fazes com sonhos ainda impossíveis. Entrego a voz que se esconde na garganta ao turbilhão de sentimentos armazenados nesta caixinha que habita o meu peito.



Os dias agora parecem-me mais tranquilos. A agitação inicial deu lugar a uma confiança desconhecida, ainda que com laivos de insegurança aqui e ali. Perfeitamente normal, assumo. É a primeira vez desde que cheguei que me sinto realmente aqui, com os dois pés assentes em terra firme. Nada mau após um mês... O habitual em mim. Nada de novo aqui.

Só ainda não me sinto em casa, nem sei se algum dia sentirei. É o preço justo a pagar pela aventura, penso. Nada na minha vida tem sido ao acaso, daí esta etapa concerteza se venha a revelar mais um passo importante no meu crescimento. Sou ainda pequenina na vida mas a aprender, sempre. Olhos atentos e coração aberto, mesmo a medo. Afinal, ainda sou eu, certo? E eu sou assim...

E é também a primeira vez que sinto que a minha vida arrancou, como o motor de um carro. Tanto depois, e agora percebo que aqui início aquilo que eu ansiava em sonho, talvez à espera de um futuro que nunca mais chegava. E bastou um passo, um apenas. Que se tornou gigantesco e avassalador pela mudança que causou, mas que começou minúsculo e aparentemente inofensivo, sem qualquer esperança ou expectativa. Daqui vem a minha força, desta capacidade que o percurso tem em me surpreender, de me arrebatar nos braços e me elevar até ao ceú. Por isso mantenho o meu sorriso, tão meu. O sorriso de menina que fui em tempos mas que nunca me abandonou. O sorriso que não sei fingir nem inventar, que pode ser tímido ás vezes mas que é puro. Mesmo quando o coração fica apertado. Mesmo quando o choro vem, lá no fundo ele se insinua para não me deixar esmorecer. Sou hoje mais feliz porque compreendi que tudo se encaixa perfeitamente. E porque confio. Em mim e na vida.


Boa noite.


* Provérbio Chinês

domingo, julho 08, 2007

Encosta-te a mim

Não podia deixar de fazer este post. Faz-me voltar a vocês. Tanta saudade!!

Jorge Palma - Encosta-te a Mim

Ora então deixem-me respirar fundo a ver se isto se concerta. As ideias, quero dizer. Estou constipada e rabugenta. O belo do tempo irlandês pôs-me assim. E então até para escrever tenho de fazer um esforço maior do que o habitual.

Para quem chegou há um mês e se queixava que ainda não tinha tido "acção", seja, animação, borga, o que for, estes últimos dias até que nem foram maus.

Quinta-feira à noite. Convidaram-me para ir assistir a uma corrida de cães. Aqui na Irlanda é muito popular. Estive quase para ir mas acabei embrulhada no trabalho e não paguei o bilhete. Mas no rescaldo lá fui ter com os que foram, e rir-me um bocado com as apostas frustradas e a história do cão que caíu na recta da meta e "como é um animal que anda em 4 patas consegue cair? Como?" Isto vindo de quem apostou e perdeu, obviamente!!

Encontrámo-nos no Odeon, um bar muito agradável já mais perto do centro. Umas pints e vamos para a disco. Nota muito importante: eu vou tentar não ser muito má e principalmente, não ser preconceituosa. Mas aviso já: é extremamente difícil!!

O espaço até que nem é mau de todo, deve ser o habitual por aqui. Uma cave, pagas uma entrada e depois lá dentro só pagas se consumires. Nada de cartões e consumos minímos. Até aqui, tudo normal. Até aqui... A música? Meus amigos... Este povo, ou esta juventude, parou no tempo. As coisas mais recentes que passaram foi Justin Timberlake, Nelly furtado e Shakira. Primeiro, só música comercial, que eu até nem desgosto, para a brincadeira com os amigos é do melhor. Segundo: temas tão antigos que até já nem me lembrava que existiam... E o auge da noite foi... Agora devia de haver uns tambores para o suspense, valia a pena... O auge da noite foi, meus queridos, o tema principal da mui aclamada e repetidissíma série Baywatch! Palmas, palmas!! Sabem qual foi a sensação? Que tinha recuado no tempo e além da estranheza de estar no meio de pessoas muito diferentes de mim, tive a sensação que também eu tinha andado para trás, como se tivesse outra vez 16 anos. Eu e os meus colegas olhámos uns para os outros, de boca aberta e com um sorriso atravessado e depois largámo-nos a rir. Como não?? E eu tratei logo de ir descobrir o nome da canção e o seu intérprete. Pois o senhor que empresta todo o seu talento a esta preciosidade, a esta série que tão bem povoou os sonhos de milhões de adolescentes de todo o mundo durante tantas temporadas, o senhor dá pelo nome de Jimi Jamison e o tema chama-se "I'm always here". Quem é que não se lembra? Podem dar uma espreitadela em http://www.youtube.com/watch?v=HPwLxj40_Ok. Eu confesso que durante vários anos acompanhei a série e claro, como adolescente que fui, também eu, a determinado ponto, desejei ter um corpaço daqueles. Mas foi por pouco tempo que eu sou uma gaja que dá valor a outras coisas muito mais importantes que a beleza física!

Foi uma noite divertida que acabou com o espectáculo do costume. Digo espectáculo porque para quem não sabe, as mulheres irlandesas adoram dar nas vistas. Tipo, está uma ventania desgraçada, frio e a chover e elas vão para a rua com uns calções de fazer corar as pedras da calçada, uns saltos vertiginosos e com decotes até ao umbigo. Estão a imaginar? Então só para dizer que à saída da discoteca apareceu uma, entre muitas outras amostras disso mesmo. E estão a ver o meu grupo, só homens e duas mulheres? Sem comentários.

Ontem foi mais soft. Um passeio nocturno pelo centro à procura dos amigos, 2 cervejas em Porter House e mais uma caminhada até Graffton Street para um outro bar em que já não podíamos entrar porque já estava a fechar. Depois apanhar o Night Link, o autocarro, uma vez que metro, só até as 00:30. Cheguei a casa ás 3. Se fosse em Portugal...

Agora é hora de não fazer absolutamente nada.

Até amanhã!

quinta-feira, julho 05, 2007

Hoje apetece-me...

Já que não há Super Bock Super Rock para ninguém...
Uma das melhores bandas da actualidade. Rock's!!
Enjoy!
Interpol- Obstacule #1

Ó Faz favor...!

Ó meus amigos, toca a mexer!! A empresa para a qual estou a trabalhar está a recrutar portugas para a equipa. Não é um trabalho de sonho mas é uma oportunidade única. Para vocês que andam aí sem saber o que fazer à vidinha, com um emprego sem eira nem beira, um ordenado de miséria e uma insatisfação latente, cheguem-se à frente!! Toca a mandar os currículos em inglês para mim, mas assim rápido, rápido!!
Não quero desculpas que é difícil deixar a terrinha, os papás e afins. Eu também achava que era difícil, mas tudo se supera!
Beijinhos

quarta-feira, julho 04, 2007

Gaja versus gajos


Ponto número um: gosto de amizades masculinas. Não me interpretem mal. Acho que os amigos homens são muito menos complicados, mais terra a terra e mais fáceis de viver com. Adoro as minha amigas porque elas me compreendem melhor, porque me "vêem", porque com elas se tem conversas incrivéis sobre banalidades, porque são mulheres como eu. Há uma identificação. Mas com os homens sinto sempre o chão mais firme, as coisas tornam-se mais práticas e simples. Minhas amigas, não me levem a mal!

Ponto número dois:estou num país estranho, rodeada por estranhos. A minha âncora são alguns outros portugueses que me têm acolhido. E adivinhem lá? São quase todos homens. Estou em casa de dois que têm sido uns amores comigo. Eu sou uma gaja fácil de lidar, adapto-me bem aos outros, sou discreta e gosto do meu espaço pessoal e não costumo interferir com o dos outros. Damo-nos lindamente, pena ser apenas temporário. Mas, como em tudo, há sempre um mas. Para quem me conhece, sabe que eu sou discreta, na forma de ser, vestir, aparecer, falar. Mas sabe também que eu sou aquilo que se pode chamar, uma verdadeira gaja!! Ou seja, eu adoro todas aquelas futilidades que toda a gente sabe que as mulheres adoram. Bem, nem todas. Já tou a imaginar a cara de algumas pessoas. Pois, quem diria. Mas é um facto. Sabem que se eu estiver numa de me arranjar a sério sou capaz de torrar a paciência a toda a gente à minha espera? Ah pois é! Mas adiante. Isto tudo para dizer que me considero uma gaja, assim com todas as coisas de gaja. Bem, eu hoje tou que tou...;) E, devem estar vocês a pensar? E? E que no domingo, um dos meus colegas, homem, se vira para mim e me diz que eu agora sou um deles, tipo, "para nós tu és um dos gajos"!! Como!! Meu Deus!! Que fiz eu para merecer isto?? Eu disse que gostava de amizades masculinas, não que queria ser um homem, muito menos que me vissem como um!! Devo dizer que fiquei indignada e fiz questão de o demonstrar. E entre dentes lá fui mastigando um "eu vos digo quem é que agora é um de vocês"... Ok, tou a exagerar um bocadinho, numa de paródia, até porque depois acabámos todos a rir, mas o facto é que fiquei a pensar naquilo. Ainda não tirei uma conclusão assim mais... conclusiva. Bem.. Acho que vou deixar isso para um próximo post.

Até amanhã!

terça-feira, julho 03, 2007

Cinema da minha vida # 3

O amor é um/o mundo.
O amor é traição.
O amor é angústia.
O amor é pecado.
O amor é egoísmo.
O amor é esperança.
O amor é dor.
Amor cão.
O amor é a engrenagem do sistema que nos une e nos separa enquanto seres humanos.

Amor Cão(2000)

quarta-feira, junho 27, 2007

Vontade e Desígnio


Tenho um segredo bem escondido num cantinho do meu coração, numa sala cheia de sol da minha alma. Tenho uma cascata de luz que passa silenciosa e tranquilamente pelo meu sentido do ser. Sou cheia de vontade. Cheia de sede de pele, do corpo trémulo do desejo, do sussuro do arrepio. Sou desígnio de uma verdade disfarçada no meu sorriso e nas minhas palavras.

Querer e cumprir.

Doce ânimo que me preenche o sono e me acorda os sentidos.

Farei da vontade um desígnio.


Boa noite.

terça-feira, junho 26, 2007

Egoísticamente, Eu



Eu quero: amar e ser amada, perdidamente...

Eu tenho: a dádiva do livre arbítrio.

Eu acho: que devia dormir mais.

Eu odeio: sentir-me enganada.

Eu sinto saudades: do cheiro do mar, do abraço dos meus amigos, dos meus pais e do meu mano.

Eu escuto: o que se passa á minha volta.

Eu cheiro: a mim.

Eu imploro: só em desespero de causa.

Eu procuro: paz naquilo que sou e amor no que me rodeia.

Eu arrependo-me:do amor que ainda não dei.

Eu amo: a vida.

Eu sinto dor: quando me sinto rejeitada sem razão válida.

Eu sinto falta:das partes de mim que ainda não encaixaram e que me preenchem.

Eu importo-me: com os que amo.

Eu sempre:tento ser verdadeira.

Eu acredito: que tudo na vida encaixa como um puzzle.

Eu danço: quando estou feliz.

Eu canto:quando estou sozinha, no carro, quando acordo com uma melodia na cabeça.

Eu choro: por emoção, mas dificilmente na presença de outras pessoas.

Eu falho:muito, mas também aprendo muito mais.

Eu luto: com o que tenho.

Eu escrevo:por instinto, por necessidade, por vontade, desejo e fascínio. Porque as palavras são o canal da minha essência.

Eu ganho:agora mais, mas hei-de chegar mais alto.(Lol)

Eu perco:pouco. O que a vida nos leva sem piedade, devolve-nos carinhosamente e muitas vezes disfarçadamente.

Eu nunca:acredito na maldade à partida.

Eu confundo-me: com muitos números...

Eu estou: calma.

Eu sou: abençoada.

Eu fico feliz: quando sinto que fiz alguém feliz.

Eu tenho esperança: no que sou.

Eu preciso: de mimos, muitos mimos! Mas também dou!

Eu deveria: estar a descansar.

Cinema da minha vida # 2

Último filme visto em sala de cinema, muito recentemente. Belo e comovente. Constrangedor por vezes e hilariante na simplicidade pura do quotidiano de pessoas que por vezes ignoramos ou escolhemos desistir de ver com os olhos abertos. O Peter O'Toole merece um óscar, há muito tempo! Foi uma bela surpresa.
E a voz da Corinne Bailye Rae para adoçar e pintar de leveza a tela no escurinho do cinema.
Venus(2006)

Consciência


Tenho consciência do que sou e do que vejo. Tenho consciência do que não sou e do que não consigo sentir. Tenho consciência de mim e das minhas transparências. E tenho sobretudo consciência das minhas falhas e limitações. Por isso estou aqui. Por isso cheguei aqui. Por isso sou isto.


Hoje foi o meu primeiro dia de trabalho um pouco mais a sério. Ainda com suporte humano, mas já a desbravar caminho. Estou feliz comigo. Mais um obstáculo, mais uma linha cruzada. E ainda só agora começou. Sou um ser humano abençoado!


Boa noite.

domingo, junho 24, 2007

Fim-de-semana

O meu fim -de-semana começou numa lufa-lufa. Acabei a formação e depois do teste final vim para casa e vai de limpar. Aproveitar que os homens não estavam e transformei-me, mais uma vez, em fada-do-lar. Acabei encostada no sofá já sem grandes forças para qualquer outra coisa que não dormir.
Dormir. Dormir tem sido o que mais faço desde que cá estou. Eu já sou dorminhoca, mas antes tinha problemas em dormir mais do que 5/6 horas por noite. Aqui também não as durmo, mas faço sestas, muitas sestas. E só por isso já me sinto com mais energia.
Sábado á tarde, compras. Eu sou gaja, e como gaja, as compras são assim uma espécie de terapia, um elixir para o corpo e o espiríto. E lá fui eu esbanjar uns euritos, coisa pouca que a vida está muito difícil, nuns trapos mais sportswear. Aqui a menina, como já referi anteriormente, gosta de chutar umas bolas mas não veio devidamente preparada para o efeito, por isso ontem fui resolver esse pequeno problema. Há cá uma lojita(enorme, muito maior que a zara), que é basicamente uma perdição para mulheres. Não que seja alguma coisa de especial, mas além de ter tudo e mais alguma coisa, é baratíssima. Para quem acha que a Zara é barata, não conhece a Penneys. O nome é engraçado e dá azo a piadinhas. A seguir, Tesco. É o nosso Mini Preço cá do sítio, só que os preços não são lá muito mini. Uma coisas que cá é cara é comida. Além das rendas de casa que são exorbitantes, tudo o que é comida e bebida é caro. Pelo menos para o que nós portugueses estamos habituados. Se tivermos em conta os salários que cá se ganham, ok, não é caro, mas para mim que estou habituada a contar os tostões, quando cá cheguei e me disseram quanto custava uma cerveja ou a renda de uma casa, fiquei literalmente de boca aberta.
E como eu ia dizendo, la fomos ao Tesco fazer as compras da semana. O mau mesmo das compras é que depois tens de as carregar. Pois, e tendo em conta que não temos carro e temos de apanhar o metro, que não fica logo ali á porta do centro comercial, e que está a chover e, oh horror!!-, os sacos pesam toneladas!... Estão a ver? Quando finalmente chegámos a casa, os meus dedos estavam tão maltratados, mas tão maltratados, que horas depois ainda sentia dores.
O dia terminou com um jantar em casa de uma das nossas colegas, e tenho só a dizer que dormi vestida e calçada! E que hoje já bebi para lá de 2 litros de liquidos e tenho uma fome que não acaba mais! Nice going!
Já sei onde é Temple Bar, já senti o pulsar da cidade, o corropio do entra e sai dos pubs. Para mim que estou habituada a sair para a noite sempre depois das 22/23h, ir na rua ás 21h e ver a agitação, é ainda muito estranho. Para não falar de que os dias aqui são maiores, só anoitece depois das 22h. Em Portugal isso só acontece no Verão, e lá mais adiantado.
Foi um bom fim-de-semana. Pela primeira vez desde que cheguei senti Dublin. E honestamente, senti-me muito bem, é uma cidade fantástica que vou ter imenso prazer em descobrir. Pena não o poder fazer acompanhada pelos meus queridos amigos. mas há-de haver oportunidade. Pelo menos assim espero e anseio.
Mais sofá, mais descanso.
Antes de ir, só uma nota. Ontem ao fazer zapping, vi pela primeira vez o novo video da Nelly Furtado, "In God's Hands", e imediatamente aquilo me soou a algo muito familiar, como se aquela música me recordasse de uma outra. Fiquei um pouco a pensar e depois fez-se luz! Há uma banda que eu não ouço há séculos e que ficou esquecida no meu bau de memórias do final do liceu. O nome é Sundays. Têm um albúm, "Static & Silent", penso que de meados dos anos 90, e são absolutamente deliciosos. Incrível como quase me esqueci da sua existência. Fui imediatamente ao you tube procurar um video e lá estava. Aqui vos deixo um dos meus temas favoritos e também adequados à época. A vocalista, Harriet Wheeler, tem uma das vozes mais bonitas que já ouvi. Não faço ideia que outros trabalhos editaram e se ainda existem como banda, mas vou investigar. Espero que gostem.
Até amanhã.
The Sundays - Summertime

sexta-feira, junho 22, 2007

Cinema da minha vida#1

Já que estamos numa de coisas que gosto muito, muito, muito, e se depois da escrita vem a música, só falta mesmo o cinema.
Talvez o meu filme preferido... talvez.
American Beauty(1999)

Jeff

E como que por acaso (e nada é por acaso), ao fazer zapping me deparei com um especial sobre quem? O meu mui adorado Jeff Buckley. Já passaram 10 anos desde a sua trágica e inesperada partida(29 Maio 1997). Perdeu-se um talento imensurável, uma alma imensa. Deixou-nos pouco para o tanto que a sua música tinha para dar. Para mim há-de ser sempre uma referência, e o único albúm que gravou em vida, "Grace"(1994), que não me canso nunca de saborear, contém momentos de rara e pura beleza.
Para quem não conhece, aconselho vivamente. Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Belo! Delicioso! Delicado! Puro!
Fica uma amostra, um dos meus temas preferidos, um inédito lançado na comemoração dos 10 anos do lançamento de "Grace".
Enjoy...
Forget Her - Jeff Buckley

quinta-feira, junho 21, 2007

Dialecto


Dialecto: linguagem peculiar a uma região, não diferindo essencialmente da linguagem das regiões vizinhas; cada uma das línguas que se consideram variedades do mesmo tipo fundamental; provincianismo.


Para além desta definição que vem no dicionário, eu tenho uma muito particular: linguagem que nas sua variadas formas, falada, escrita, gestual, aproxima ou aparta, pessoas ou sentimentos, dependendo dos intervenientes e dos canais de comunicação.

A grande desvantagem de se estar num país estrangeiro é que estando em permanente contacto com pelo menos mais 3 ou 4 línguas diferentes, mais uma variante da nossa língua mãe, decorridos uns dias os nossos pensamentos se transformam numa mix de retalhos, assim uma espécie de cruzamento de palavras, umas em português, outras em inglês, mais em brasileiro, o português do brasil. Não tanto o espanhol, o francês ou o italiano, que dessas ainda tenho que aprender muito mais, mas as outras... Imaginem um grupo de 5 pessoas a estudar para um teste, em que 4 são portugueses e 1 brasileiro. Estão a ver a matéria que é toda dada em inglês? E em que nos testes respondemos em português? Agora estão a imaginar a balbúrdia na mente? E quando a nossa colega do lado, que fala o português do brasil nos está sempre a perguntar o significado de palavras como autocarro, chapéu de chuva e gramar(como em "gramo bué esta cena")? É a confusão total. Acaba por ser divertido. O mau mesmo é quando a formadora me faz uma pergunta e me sai uma resposta em portinglês! Ou quando quero responder a um nativo e me saí uma mistura de sons que não são carne nem peixe!

Dialecto, dialectos. O meu mundo é uma miscelânia destas expressões, destes sentires, destes olhares inundados do mundo.

E dialecto do coração. Ontem o meu dialecto produziu um efeito, lá longe, onde deixei uma parte do meu coração.

Até amanhã!!

quarta-feira, junho 20, 2007

Mais um dia

Mais um dia, mais um temporal! Caramba que nesta terra chove! Mas é uma chuva para lá de chata, mas tão chata... E o vento? Se isto é assim à beira do Verão, imagino no Inverno.
Hoje não estou muito inspirada, daí, vou só deixar o apontamento da música do dia, a que me apetece ouvir, a que me põe bem disposta.
Hasta!*********************
Klaxons - Golden Skans

terça-feira, junho 19, 2007


Update: cansada, muito cansada.

O meu domingo foi melancólico, meio triste até. A minha rotina irlandesa instala-se agora nos meus poros e ainda estou a desintoxicar da minha vida portuguesa. Domingo à tarde é sinónimo de sofá e tv. Ontem foi mais ou menos assim, com a diferença que logo após o almoço acompanhei os meus colegas a um belo e mui disputado jogo de futebol. Aqui o pessoal( portugas, pois claro), junta-se aos domingos para dar uns pontapés e correr um bocado. Eu até estive quase, quase para me juntar a eles, mas depois achei que primeiro há que estudar a coisa, observar atentamente e depois, se ainda achar que vale a pena, sim, alinhar. Sim, porque eu sou uma mulher que adora andar aos pontapés às bolas! Quem me conhece sabe bem da minha paixão por futebol e sabe que sempre que se fala em juntar o people para dar uns chutos eu sou sempre a primeira a incentivar. Mal, mal é que invariavelmente não se passa das palavras às acções. Adiante, pelo menos aqui, entre colegas masculinos, se eu quiser, há lugar para mim e para a minha vontade de chutar.

Acabei então por ser apenas uma "olheira", atentamente a tentar acompanhar as jogadas, fintas e tentativas de golo falhadas. 8 homens a correr atrás de uma bola, num domingo cinzento, num campo de futebol algures a sul de Dublin. Nada mau para uma tarde bem passada.

Ainda houve tempo para, mais ao final do dia, ver um filme. O que escolher? Várias alternativas ao tédio, entre porrada e lamechice, terror ou suspense. Decidimos por "When a Stranger Calls". O meu colega passou o filme todo a queixar-se que não havia sangue. De facto, sangue, nulidade. Muita música daquela que assusta e até nos pomos mais direitos no sofá à espera de algo extraordinário e depois não acontece nada. Um final estupidamente mal amanhado, assim ás três pancadas, mas dá-se o benefício da dúvida, já vi muito pior.

Um domingo absolutamente calmo.

Início de uma nova semana, mais 5 dias de formação. Dia de ir tratar do meu PPS number. Finally! O PPS number é o equivalente ao número da Segurança Social e sem ele não posso trabalhar na Irlanda nem ter uma conta bancária. Menos uma dor de cabeça. Deram-nos a tarde de folga para irmos ao centro descobrir o gabinete correspondente ao nosso distrícto e preencher a papelada. Foi uma aventura. Ao género "Uma Aventura na Cidade". Eu e o meu colega de formação, com a morada na mão, e chegarmos todos contentes a pensar que acertámos à primeira, quando o senhor simpático da recepção nos diz que não, não é ali. Temos de andar não sei quantos metros( como quem diz atravessar a cidade a dar ao pernil), passar Trinity College e tal e contornar e seguir sempre pelo mesmo passeio e mais não sei quantos metros e finalmente, se entretanto não estivermos muito cansados ou completamente perdidos, aí encontraremos o tal edifício onde podemos finalmente tornar-nos mais um número da sociedade laboriosa desta metrópole. Ufa! Até fiquei cansada de contar, imaginam o que foi... mas o facto é que, depois de muito andar até demos com o sítio de forma mais ou menos... fácil. Acho que foi mais o chegar. Sim, porque o pior estava para vir. Eu ou sou ingénua, ou como sou estrangeira neste país, nunca me passou pela cabeça que nesta nação os serviços públicos não fossem uma maravilha. Qual não é o meu espanto, e do meu colega, quando nos deparamos com um sítio em tudo semelhante aos nossos portuguesinhos serviços públicos, até os guichets de atendimento me fizeram lembrar Portugal. Mais ou menos 60 pessoas à frente. Coisa pouca! Estão a ver alguma semelhança? Comecei a entrar em stress e a pensar na minha vida a andar para trás. Mais não sei quantas horas perdidas. Mas como no meio do caos se encontra sempre um caminho, lá nos sentamos e o que acontece é que a conversa foi-se fazendo e quando demos conta, chegou a nossa vez. Despachámo-nos em 5 minutos. E tenho a dizer que a diferença é que se fosse em Portugal não teriamos concerteza sido atendidos até ao encerramento dos serviços, e de maneira nenhuma teria sido tratada com tanta simpatia. Não quero aqui dizer que em Portugal é tudo mau, muito pelo contrário, tenho saudades de muitas coisas boas, mas esta é uma daquelas diferenças em que os Irlandeses nos batem aos pontos.

Para terminar o dia em beleza, mais um filme. "The Hills Have Eyes". Pois é meu amigo, querias sangue? Então toma lá! Alguém viu "A Casa dos Mil Cadáveres? Muito sangue, grotesco, obsceno até. Mas este "The Hills..." não se lhe fica atrás em nada. Caramba! Gostei, não é nenhuma obra prima, mas deu para uns momentos a agitar-me no sofá e a soltar uns risinhos de vez em quando para disfarçar o nojo. Aconselho a amantes de filmes com muito sangue e desaconselho vivamente antes de jantar, falo por experiência!

Sabem o que está o meu outro colega a ver? Um filme do Stevan Seagul(nem sei se é assim que se escreve)! Belo final de dia. Agora para o fecho em beleza, só se visse uma novela. Ai meu Portugal, meu Portugal!

Hasta!*************************************************

domingo, junho 17, 2007

Jorge Palma - Canção de Lisboa

Hoje deu-me para a saudade. Esta música faz-me ficar mais perto de tudo o que me faz falta... e de todos.
Amanhã é outro dia.

sábado, junho 16, 2007

Hoje sou uma autêntica fada do lar!! Pois é, os meus colegas foram trabalhar e eu aproveitei para me atirar ao aspirador e ao pano do pó. Sim, porque isto de estar a morar de favor na casa de dois homens tem muito que se lhe diga. Também tenho de contribuir!! Vai daí, toca de limpar.Casa-de-banho, cozinha e sala. Aspirar, limpar o pó, etc, etc...
Mas deixemo-nos de coisas banais. Hoje apetece-me fazer considerações mais profundas, ou não. Já não sei muito bem o que escrevo porque à hora a consciência já não está alinhada com o entendimento perfeito da realidade. O que não significa que o que digo seja totalmente incoerente.
Adiante.
Alcool e gelado. Que bela combinação. Ok, isto está a tornar-se num daqueles manifestos ébrios em que dizes tudo o que te vem á cabeça e depois quando vais ler tudo faz sentido. Não que a minha intenção seja essa, mas o facto é que neste momento, em que é cada um por si, não encontro grandes alternativas.
A vida neste cantinho é ilusóriamente igual aquela que me é tão familiar. A única coisa que muda são os rostos e a linguagem. Ou melhor, nem tanto a linguagem, porque há muita coisa que é igual. É mais o cenário que é diferente. As pessoas são muito parecidas com o que conheço. Os ritmos são semelhantes, os rituais também. Gosto disto, gosto sinceramente!
Sabem qual é o melhor sentimento do mundo? Pois se não sabem eu digo!! É sentir a falta de pessoas e coisas e saber que vai haver um dia em que essas pessoas e coisas te vão aparecer ao alcance do teu toque. E esse espaço temporal entre a saudade e a certeza, a presença... Será a doce contemplação. As saudades apertam e o meu coração retrai-se com medo. Isto são coisas que me fazem pensar nas mudanças e nas reviravoltas que a vida dá sem nós prevermos. Não adianta de muito tentar fazer uma análise... O resultado é sempre um grande ponto de exclamação.
Ok, time to let go. My mind is turning blank and i don't really want to think. Lost my will to write something with meaning. Just want to live.
O meu coração treme porque estou longe dos que me amam. Mas há novidade neste cantinho do universo, estou viva!! E como me disseste M., vou-me divertir, ao máximo! O céu é o limite!!
Hasta!******************

sexta-feira, junho 15, 2007


Há uma semana atrás o mundo cercou-me, apertou-me e sobre mim fechou as asas para logo a seguir e com toda a força me largar e se abrir numa amalgama de feições inimagináveis para além da minha relidade tão queixosamente insípida.

Não sei que sentimentos me assolam, não sei, tão pouco, como vim aqui parar... Estes dias estão fora do tempo, desertos no pensamento. Nestes fragmentos de lúcidez, vou encetando o esforço por juntar as peças do puzzle e perceber o que me aconteceu. Quando a ruptura se dá tão bruscamente a mente e o corpo parecem desconectar-se, o coração fica trancado numa redoma e vai ficando apertado, apertado. É um universo sem princípio nem fim. Terei eu a capacidade de verter para linguagem esta intuição, este sentir, este plano traçado ás pressas, esta invisível nova certeza que tomou conta de mim? Sou ainda incrédula e desordenada.

Ainda não sei reconhecer a falta, a ausência física que todos me fazem. Acho que é medo. Medo do sentimento de perda, do desamparo, da solidão. Medo de acordar um dia e abandonar-me ao pranto. Medo do que não posso ver e tocar. Medo do que não posso quantificar.

Mas nem tudo são vazios. Lentamente há espaços a serem preenchidos. Há um novo cenário, uma nova rotina, outros rostos e outras linguagens. Há uma dinâmica ao mesmo tempo diferente e ainda assim muito semelhante, com um sabor a algo familiar. Há um novo ritmo, um compasso alternando entre o muito rápido e o muito lento. Há um sorriso desenhado no meu rosto a cada instante. Há uma nova vida dentro de mim. Uma paz frenética a nascer dentro do coração. Houve sol e agora há chuva para me pintar os dias. Há saudade, oh saudade!! Mas há também um novo encantamento.

O meu coração anseia por esta mutação tranquila. Mas jamais esquece as sementes plantadas lá longe. Não descura do amor que trouxe agarrado a si, do amor que se me cravou na pele. Deste amor que me deu coragem.

"Uma chama invisível incendiou-me o peito" e em tempo algum a deixarei apagar. Mesmo no meio da tempestade.

Sinto-vos a todos como se estivessem aqui comigo, á distância de um olhar. Obrigada, vocês sabem quem são.

Não sinto a distância, só o calor do vosso abraço.


Até amanhã.

quarta-feira, junho 13, 2007


Rains drops keep falling down my head...

Hoje a chuva decidiu dar um ar de sua graça. Gosto tanto desta palavra, graça... Mas isso fica para outro post.

Saio eu de casa ontem depois do jantar, banhinho tomado, cheirosa e segura, camisola de cavas, muito à fresca, dar dois dedos de conversa ali nos vizinhos, quando na bela da hora de retornar ao sofá que me tem servido de cama, ponho o nariz na rua e oh!!!! Chuva!! Pois é, estamos na Irlanda afinal... Ainda deu uma corridinha e tal, mas lá cheguei meia a pingar e a rir-me para mim própria e a pensar que mais cedo ou mais tarde tinha que me calhar, certo? Sem chuva não tinha tanta piada.
Já hoje a coisa complicou-se um bocadinho mais. 10 minutos a dar ao pernil para o local de trabalho. Para lá, optimo, nem sinal. Ao almoço, na vinda, fez-se, com ameças aqui e ali. Na ida, tranquilo. No regresso... digamos que cheguei a casa húmida. Nada de sorrisinhos marotos, sim? Não não vim pelo caminho a fantasiar com os peitorais de um qualquer trabalhador das obras ou um Brad Pitt mais novinho. Nada disso, fui mesmo apanhada por este belo tempo que costuma fazer por estas bandas. Parece que os últimos dias de sol foram a excepção. Eu até já sabia, fui avisada e tudo, mas no fundo, no fundo, tava a fazer figas para que não fosse assim. Enfim, pelo menos não está frio.
Adiante. O meu fole no pé ta melhor mas ainda não consigo calçar os sapatinhos de cinderela. Eu passo a explicar. Quando na sexta-feira passada descobri que teria que me apresentar em Dublin na segunda de manhã para começar a formação, entrei literalmente em pânico. É que existe um dress code, nada de gangas, tenis, camisolas com logos e afins. Estão-me a ver? Eu que ando SEMPRE de ténis e de calças de ganga, assim meia desgrenhada? Estão-me a ver de calcinha de vinco e sapatinho de cinderela? Pois! Vai daí, aqui a menina saca do cartão multibanco(não de crédito porque eu ainda não tenho categoria para isso), e toca de correr as lojas todas(que não são muitas) à procura de uns trapitos mais apropriados. E sim, pode-se dizer que depois de muito trotear lá rumei a casa com uns saquitos debaixo do braço e com a conta bancária completamente arruinada. E claro, no meio desse arruinar, os sapatos de cinderela. 2 pares, do mais singelo e discreto que pode haver, salto quase inexistente, confortável o bastante. Só me esqueci que calçá-los a primeira vez, sem meias, e fazer logo o percurso by foot até ao trabalho... asneira. À hora de almoço tive de me remeter ao meu par de sandálias se queria arrastar-me de volta.

Como podem depreender, isto não tem sido propriamente uma aventura, aliás, tirando os carros do lado esquerdo da estrada, a confusão com os nomes das estações do LUAS(metro/eléctrico), basicamente não se passa nada de muito interessante que valha a pena ser relatado. Por isso levam com estas trivialidades. Digam lá se não é giro cuscar a vida dos outros!?

Hasta!!*****************



P.S.: Os homens das obras cá não andam de peitoral à mostra(graças aos santinhos!!!!), muito pelo contrário. Tudo dentro do que manda a lei. Capacete e colete reflector! Parece mesmo Portugal, hein?


terça-feira, junho 12, 2007

Fora do Tempo

O tempo aqui parece mais amplo. Parece-me que estou dentro de uma redoma e que o passar das horas vai definhando fora de mim. Suponho que é assim que se sente quem chega a um país desconhecido.
Lentamente pelo meu sistema adentro. Lentamente pela minha pele se entranha esta cor nova. Não a sei pintar com palavras, não a sei enunciar ou traduzir. Estou em terreno desconhecido, sinto-me fora do tempo e ás vezes do espaço.

Ok, isto são letras que juntas formam palavras, palavras que fazem frases, frases tão convencionais, frases já muito batidas. Nada do que digo é novo, quem me conhece já se habituou á minha escrita, aos meus devaneios pretensamente literários.

Hoje não tenho muito para dizer. Foi um dia calmo, mais formação. Saí directa para casa. Um pouco de conversa no messenger, uma visita a algumas páginas portuguesas para me actualizar, uma sesta, mais um pouco de conversa com os novos amigos, banho, jantar. E amanhã tenho um teste! Devia ler as folhas da formação, assim numa de descarrego de consciência. Mas mais daqui a pouco. Vou aproveitar que estou sozinha para respirar fundo e me deixar ir. Deixar-me ir nesta nova realidade que ainda a medo se me insinua nas veias.

"Fora de tempo pôs-se o sol
e a lua fora de tempo também"

Até amanhã.******************************************

segunda-feira, junho 11, 2007


Foi difícil conciliar o sono. As turbulências da minha pulsação, as saudades ainda adormecidas, o silêncio inexplicável, a minha solidão truncada ainda na bolha da incerteza.

Foi uma noite difícil. Foi um amanhecer diferente, um dormir diferente, um sentir diferente.


Comecei a minha formação hoje. Caras desconhecidas mas o português como elo de ligação e entendimento. Uma reunião com os Recusos Humanos para tratar de questões práticas, mais umas assinaturas e estão os dados lançados. Somos 7 na formação, 5 portugueses e 2 brasileiros. Sim, também há cá muitos brasileiros. Na equipa que eu vou integrar são alguns. Há italianos, espanhóis, gregos, franceses, enfim, united nations of europe! Uma mix de culturas e línguas muito interessante do ponto de vista humano e mesmo a nível profissional.

Saí as 16h e ainda fui ao centro comprar um carregador para o telemóvel e um cartão telefónico de uma rede de cá para poder receber chamadas de portugal porque fica mais barato. Além disso convém ter um número de cá. Fui a Grafton Street, a rua mais movimentada cá da terra. É uma coisa fantástica. Para mim, que o mais longe que tinha ido tinha sido Espanha, estar numa cidade como Dublin e sentir o pulsar de toda aquela gente, é simplesmente fantástico!

Bem, por hoje é só, resta-me só dizer que este dia está a terminar da melhor forma, a escrever e em boa companhia.

Amanhã há mais!

Até amanhã.*************************

Chegada


Para quem não sabe, e como anteriormente não tinha feito referência, a minha vida, no espaço de 4 dias deu uma volta de 180 graus!
Mudou tudo! O cenário, as pessoas, os sons, o cheiro.
Na quarta-feira passada recebi um telefonema que mudou a minha vida. A oportunidade de emprego que eu tanto ambicionava chegou, e com ela a tal volta de 180 graus. Em 4 dias passei de um emprego temporário na cidade que eu sempre conheci, perto de tudo o que me é familiar, para um emprego noutra cidade, noutro país, noutro universo!! E tudo isto literalmente da noite para o dia. Confesso que fiquei apavorada, que me senti sem chão e que julguei que não seria capaz de deixar tudo, fazer a mala e vir. Mas o facto é que aqui estou! Sentada no sofá da sala de quem tão gentilmente se ofereceu para me receber de braços abertos, nesta cidade para mim ainda tão desconhecida.
Ainda não consegui "aterrar" plenamente, ainda é tudo muito estranho. As pessoas que me receberam, portugueses, jovens como eu, puseram-me tão à vontade que me sinto quase em casa. Claro que até me sentir verdadeiramente em casa ainda falta muito, mas por agora está optimo.
Amanhã vou conhecer o meu novo local de trabalho e a minha nova realidade enquanto trabalhadora num país desconhecido. Estou ansiosa e expectante, mas também cheia de força e de vontade! E para isso muito contribuiram a minha família, que me apoiou em tudo, e é claro, os meus queridos amigos que não deixam nunca de me surpreender. É sempre nestas alturas que se revelam. Tive uma despedida fantástica. E percebi que se calhar a minha amizade era muito mais importante para algumas pessoas do que alguma vez pude supor. A tal tendência do ser humano para se menosprezar e substimar-se. O meu coração inchou tanto como um balão. E subiu, subiu... Obrigada a todos. O meu amor por vocês é imenso e impossível de pôr em palavras.
Hora de descanso. Amanhã é dia de um novo começo.
Como diz a canção: "hoje é o primeiro dia do resto da tua vida..."