sábado, maio 19, 2007


Não há palavras nem som. Não há suspiros nem soluços. Não há paz porque não há sentido.

Olhar transparente.

O coração teima. A razão empurra-me.

Não há chão, só balanço.

Só.

Só por ser quem sou.

Só.


"Só por existir

Só por duvidar

Tenho duas almas em guerra

E sei que nenhuma vai ganhar

Eu sei que nenhuma vai ganhar"

segunda-feira, maio 14, 2007

Que de Mim??


Reconvertem-se as dores e as fraquezas. Doem-me os pés do caminho incerto. Leio um livro iluminado de vida e trivialidades profundas, um mundo à beira doutro mundo, tão distante mas tão real, tão imediato. Asas abertas e olhos semi-cerrados. Vejo-te já de longe, no coração a palpitar, na saudade que ainda não é. Ilumino-me e busco-me, sem saber o que vejo, sem procurar.
Que de mim por aqui passa afinal? Que de mim aqui fica, nesta hora? Que de mim guardas, se me lembras, se é que me lembras...?


Daqui a umas horas completo 27 anos. Devia sentir-me feliz... Algo se agita no meu peito. Suspeito que não é contentamento...

sexta-feira, abril 27, 2007

Dia Feliz


Parabéns Marco!

Um dia cheio de luz!

quinta-feira, abril 26, 2007

Baque


Sabem aquela sensação antes da queda, antes do mergulho? Ou quando sentem um pressentimento muito intenso, um formigueiro na ponta dos dedos, um aperto no peito? Ainda não aconteceu e já sentimos o impacto, o choque, o baque?! Hoje acordei assim. Com a sensação de algo inevitável, de algo indecifrável mas presente, um zumbido baixinho, uma excitação inominável.
E agora estou possuída por esta estranha força que se apoderou de mim, esta intuição malandra a bailar-me no peito.

Acordei, mas falta o click definitivo. Falta a onda avassaladora, o baque de misericórdia. Acordei para mim, para informações e contextos novos que de tão antigos em mim me iam minando, sabotando o caminho e a vontade.
Acordei mas ainda mal abri os olhos, ainda não vejo tudo claramente. E ainda falta muito, tanto... Falta muito para mim.

"Quando já nada é intacto,quando tudo na vida vem em pedaços e por dentro me rebenta um mar
Quando a cidade alucina,num luar de néon e de neblina e me esqueço de sonhar
Quando há qualquer coisa que nos sufoca e os dias são iguais a outros dias e por dentro o tempo é tão voraz
Quando de repente num segundo qualquer coisa me vira do avesso e desfaz cada certeza do meu mundo
Quando o sopro de uma jura faz balançar os dias

Quando os sonhos contaminam os medos e os cansaços
Quando ainda me desarma a tua companhia e tudo o que a vida faz em mim
Quando o dia recomeça e a noite ainda te prende nos seus braços e por dentro te rebenta um mar
Quando a cidade te esconde e o silêncio é o fundo das palavras que te esqueces de gritar"

Mafalda Veiga

quarta-feira, abril 25, 2007

Retorno


Começo este post com um pedido de desculpas. Mea culpa! Mea culpa! Mais de um mês decorrido desde o meu último post, eis-me aqui novamente. A quem costuma passar por cá, alegrem-se( ou não)! Voltei às teclas.

Escrevo hoje com a ânsia na ponta dos dedos, as ideias são mais rápidas que os dedos. Não consigo passar tudo para fora, tudo o que me apetece, por isso vai aos poucos.

A vida corre ao ritmo de sempre, nada de muito significante a assinalar. Trabalho rotineiro e a cada dia que passa mais frustrante. O voltar a casa sempre com uma sensação de vazio no peito, como se a vida estivesse a ir numa direcção e eu na outra, exactamente oposta. Que isto passa, que é uma fase me dizem, e eu digo também a mim própria constantemente. Mas eu acho que não tem nada a ver com fases, acho sim que eu é que sou a fonte dos meus próprios problemas. O que eu penso, sinto e acredito reflecte-se no universo à minha volta. Daí que, para mudar a minha vida, tenho de me mudar a mim. Mas isto é uma conversa para outro dia, hoje não me apetece pensar muito. O dia lá fora está cinzento e triste, eu com ele triste vou ficando.

Antes de me ir embora, só um apontamento final. Nos últimos dias deparei-me com situções em que pessoas que me são queridas sofreram em consequência da cobardia de outros. E parece que agora é moda! Para todo o lado que me viro, por cada pessoa que falo, lá vem mais um história, mais um "filme". Está tudo doido ou sou eu que sou anormal? Homens e mulheres perderam a cabeça, só pode. Ou então eu só acordei agora para a vida. Ou, melhor, e como eu já suspeito há muito tempo, eu é que não sou normal. Como me dizia uma amiga ontem: "Não és cabra! As cabras é que se safam!" Pois, penso que tens razão...


quarta-feira, março 21, 2007

1 ano de existência!


Pois é, já lá vai um ano, fez ontem, que dei início a este blog. A princípio só por brincadeira, depois umas vezes mais a sério, se bem que ainda não tão a sério como eu gostaria. Agora então, sem tempo, é mais difícil, mas não deixo de passar por aqui.

E pronto, parabéns ao meu cantinho, e mais uma vez, a quem se dá ao trabalho de aqui parar por uns momentos para ler, o meu sincero agradecimento. Bem hajam!

Bizzus!!

domingo, março 04, 2007

Fim-de-semana

Fim-de-semana novamente. Descanso, sofá e cobertor. Café e um cigarrinho à janela, ver as estrelas, e ontem, a lua a esconder-se. Um bom livro, o aconchego do meu cantinho.
Para ser perfeito, este fim-de-semana só precisa de mais uma coisa, mas isso é outra história...
Só mais uma nota. Já se aperceberam que a primavera já espreita? Bem sei que a chuva voltou, e têem estado umas noites frias( quarta-feira passada, particularmente), mas já há uns dias que me cheira a qualquer coisa de novo no ar. Cheira a primavera!! O ar parece mais puro, respira-se mais facilmente, sinto uma vibração diferente. É o que vos digo, está aí a estação rainha, aquela que já me faz suspirar de saudades, que trás renovação e esperança.
Nunca mais é 21 de Março(ou 20?, nunca sei bem..)!
Para finalizar, deixo aqui a música que me serve de banda sonora para este estado de ansiedade, este sentir mais voraz num novo recomeço. Bom resto de domingo!

Gnarls Barkley - Smiley Faces

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Sinto-me...


Jeff Buckley - Lilac Wine

Sentes-me??

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Vaga


If all the statues in the world would turn to flesh with teeth of pearl
would they be kind enough to comfort me?...

A manhã, a tarde e a noite. O sol, a lua. O dia e a noite. Eu e o mundo. O pó e a chuva. A terra e a poeira. Sou agora isto. Sou tudo mas não sou absolutamente nada. Sou a vaga de mar a morrer-me na vida...

sábado, fevereiro 10, 2007

Depois

Eis senão quando...
Eis senão quando o meu folgo quase se estinguiu, o mundo parou e o coração tremeu... Acendeu-se o vulcão e eu juro que não o pedi, que apenas e só, o desejei...
Desejei-o tantas vezes, com toda a raiva e com toda a força, sempre com a única certeza que jamais me permitiria ultrapassar o limite, que o toque era a última fronteira, e que uma vez ultrapassada, impossível retornar.
Mas veio o toque, e a química, e o sabor a mar e o cheiro a vento. E veio o gosto que eu lembro de outra vida, e veio o rebuliço, no espaço à volta e no tempo de beijos sôfregos, cheios de infinito.
A carne e o espírito sem rumo por uns momentos, o desnortear dos sentidos, a entrega... A entrega pura que eu desejei de outra forma, sem medo e sem constrangimento, talvez programada e planeada. Veio pura, sim, mas sem aviso e de surpresa, veio-me abalar o equílibrio, esse equilibrio(ou seria a negação??) que tanto me custou a construir.Era mais fácil quando era só uma ilusão, que nascia dentro de mim mas morria na realidade.
E quando me deixei ir, quando finalmente me rendi ao inevitável e ao que me pedia o corpo e a alma, quando me abandonei, fui abandonada. No desejo, no corpo, e na alma... Ficou-me o travo da tua pele, palavras no ouvido. Ficou este desejo doido, esta insatisfação... Ficou o êxtase em suspenso, ficou o vazio dos corpos febris na ânsia da entrega.

Eis senão quando, me encontrei e me perdi, ainda que por breves momentos.
E eis-me aqui agora, perdida e suspensa, em ti...

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Manifesto

Eu até nem era para escrever nada hoje... juro!! Mas pronto, sai-me assim o que hei-de eu fazer?
Estou, primeiro que tudo, cansada. Viver, ser eu, tem sido nos últimos tempos, sobretudo, esgotante. Sim, já estou a ouvir o coro... "Não sei porquê... tanta gente que gostava de ter a sorte que tu tens, as regalias e os privilégios." Pois eu sei meus amigos, eu sei disso tudo. Mas porra!!!! uma pessoa não podes estar bem o tempo todo, é humanamente impossível. E eu agora quero a minha parte de tristeza, a minha parte de lamento e desilusão. Afinal, a vida não é perfeita( ai os clichés...).
Estou cansada. Das cores e dos odores, do cheiro do mundo, das vozes à minha volta que não me dizem nem acrescentam nada. Estou cansada de lutar e de fingir que me aguento à bronca quando o que realmente me apetece é baixar os braços e desistir, nem que seja por um mês, um dia ou apenas um minuto. Também tenho direito, não? Se as coisas me sabem assim porque não hei-de eu senti-las assim, só por um bocadinho? Sem sentir o amargo jamais apreciarei o doce, certo?
Então esta hora é de lamento e de ressaca. É hora de espernear, de gritar e chorar. De lavar a dor, de me censurar por tudo o que fiz de errado e sofrer de uma vez por tudo o que me magoou no passado. Talvez assim consiga limpar a alma e deixar isso tudo para trás de uma vez. Começar de novo... Soltar amarras e seguir em frente. Mas sinto que para isso tenho primeiro que passar por este estado febril em que a dor me morde no peito e as lágrimas me dançam nos olhos. Talvez depois, quando esgotar todos os processos me consiga finalmente erguer e partir.
E pronto. Acaba aqui o manifesto. E já foi um exercício demasiado penoso para o meu cérebro, que coitado, tenho maltratado muito ultimamente. Já não me apetece mais pensar, como disse o outro "pensar é estar doente dos olhos..."


Agora é só coração. Quando os dois voltarem a funcionar em sintonia eu dou notícias.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Enjoy(ing) the silence

Can't you understand
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Palavras


As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias dememória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

E é pelas palavras que me perco, e pelas palavras, as que digo, as que choro e as que ficam por dizer, entaladas na garganta, por essas e por estas que me aconchego na vida, que me faço ao caminho, que me desnudo e me bato, pela glória vã de ser isto... corpo e espírito em brasa.

Depois de muito arranhar, depois de algumas lágrimas, depois de uns dias muda e calada, estou aqui, de volta a este meu cantinho, às ondas do meu mar, do meu (mais ou menos) diário de bordo. Já lá vão 17 longos dias sem passar por aqui... Confesso que me custou e que tentei, inúmeras vezes. Que abri o blog, me registei e quase, quase comecei a escrever... Mas não saía nada. Parece que tinha uma rolha no espírito, uma tampa hermética à volta do coração e que os meus dedos não conseguiam, por muito que se esforçassem, teclar uma frase que fosse.

Vim o caminho todo, do trabalho para casa, a pensar nisto e a sentir uma dor no peito, um desconforto... E depois percebi que não havia volta a dar. A solução era chegar e escrever de uma vez. É que nos últimos dias não me têm faltado assuntos e sentimentos para escrever, mas tenho-me sentido tão murcha, que nem pensar me apetecia, quanto mais sentir...

Então cá estou, de volta ao meu aconchego...

Quando escrevi aquele último post, no já longínquo dia 5, estava possuída por uma força e uma vontade imensas, que eu achava serem talvez suficientes para atingir a meta a que me propus. Mas não foram, e eu voltei para casa derrotada, no corpo, mas principalmente na alma. Ok, não é uma tragédia, posso voltar a tentar, mas ainda assim... De qualquer forma, lamentar-me agora não adianta, foi só uma batalha, a guerra ainda agora começou.

E mudando radicalmente de assunto, só queria deixar aqui o registo de uma coisa que me aconteceu na passada semana, daquelas coisas aparentemente sem importância mas que me fazem acreditar que nada disto é ao acaso... Fui eu à biblioteca munícipal, como eu faço muitas vezes( é um dos sítios onde eu me sinto melhor, aliás, qualquer sítio que tenha livros é para mim o quase paraíso), buscar uns livros e lembrei-me de um livro de fotografia que tinha levado para casa há já uns 3 anos, um livro com fotos de vários autores sobre a temática do mar. E sentei-me tranquilamente numa mesa a relembrá-lo, a desfolhá-lo, e aproveitei para tomar nota dos nomes das fotos e do respectivo fotógrafo. E estava eu muito entretida nisto, eis senão quando, ao virar de uma página, dou com uma fotocópia, já um bocado amarrotada, que alguém tinha deixado por esquecimento, com certeza, dentro do mesmo. Era uma fotocópia de uma mão, um bocado desfocada cujo estado do papel não ajudava muito, uma mão de alguém. E derrepente fez-se luz...! Não... Não pode ser... Aquela mão, aquela mão desfocada, naquele papel velho e amarrotado, aquela mão, era a minha mão, é a minha mão.... Lembrei-me! Há 3 ou 4 anos, na altura que requesitei aquele exemplar, trabalhava num centro de cópias e aproveitei para fotocopiar algumas fotos que achei mais interessantes, e na volta, por brincadeira, fotocopiei uma das minhas mãos, neste caso, a direita. Céus!! Que coisa... Passado tanto tempo. O mais engraçado é que neste tempo todo, as tantas outras pessoas interessadas em fotografia como eu, que viram aquele livro, que o desfolharam, que o cheiraram e saborearam, as mãos que o acariciaram, tantos, e ninguém deitou fora a minha mão... e a minha mão voltou para mim. Isto dava um conto. Um dia destes hei-de escrever um conto baseado neste pequeno acontecimento, pequeno e insignificante mas que foi a única coisa que verdadeiramente me fez sorrir em muitos dias.

sexta-feira, janeiro 05, 2007


"Recomeça...se puderes, sem angústia e sem pressa. E os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade. Enquanto não alcances não descanses. De nenhum fruto queiras só metade. E, nunca saciado,vai colhendo ilusões sucessivas no pomar. Sempre a sonhar e vendo, acordado, o logro da aventura. És homem, não te esqueças! Só é tua a loucura onde, com lucidez, te reconheças."
Miguel Torga


Primeira batalha de 2007: coragem! Nos próximos dias será minha companheira, minha aliada. Viverá na minha pele, no meu respirar.

Coisa importante será decidida nos próximos dias, a minha vida, o meu futuro. E tudo depende de mim. Sinto o peso da responsabilidade em mim, a expectativa dos que me amam e me querem bem, a dor aguda do medo, a incerteza de travo indefenido. Coragem que me borbulhas nas veias, força que me amparas quando se me falha o folêgo! Estou aqui, pronta, de peito aberto à luta. A vontade é mais forte. Tem de ser mais forte. Será mais forte.

"A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável."
Mahatma Gandhi

domingo, dezembro 31, 2006

Olá 2007!


Faltam poucas horas para 2006 se despedir. Vim aqui num pulinho pequenino porque não podia deixar o ano terminar sem fazer um balanço e deixar algumas metas traçadas.

2006 foi um ano bonzinho. Houve coisas muito boas e outras menos boas. Mudei de emprego. Conheci pessoas fantásticas e outras nem tanto. Fiz novos amigos. Descobri mais coisas acerca de mim mesma. Terminei o bacharelato. Encantei-me e desencantei-me logo a seguir. Mas encantei-me novamente, por outras pessoas, por outras coisas. Reencontrei velhas amizades que se renovaram e se fortaleceram. E apaixonei-me novamente... Chorei, ri, dancei, lutei. Muito! Não estou cansada, só um bocadinho. Arregaço as mangas e preparo-me. Vêem aí mais 365 dias difíceis, mas concerteza muito proveitosos.

Pensei no que gostaria de fazer este ano, nas coisas pelas quais devia lutar, naquilo que desejo para mais uma etapa. E depois dei de caras com uma pequena lembrança que tenho no meu quarto, um texto sobre o sucesso que há uns tempos me prendeu a atenção e que reproduzi porque achei muito verdadeiro. E pensei para comigo "é isto mesmo!". Por isso, as minhas resoluções (ou como lhe queiram chamar) para este ano serão algo do género desse texto. E assim sendo, e adaptando-o à minha pessoa, 2007 para mim será:

- Um ano para ser verdadeira, sincera, para elogiar os outros quando eles merecem, mesmo que se trate de pequeninas coisas.

- Um ano para ter um aperto de mão firme e confiante.

- Um ano para olhar sempre os outros nos olhos.

- Um ano para gastar menos do que ganho.

- Um ano para saber perdoar, os outros e a mim própria.

- Um ano para tratar as pessoas à minha volta como gostaria de ser tratada.

- Um ano para fazer novos amigos.

- Um ano para saber guardar segredos.

- Um ano para não adiar nunca as alegrias e a felicidade.

- Um ano para surpreender as pessoas que amo com presentes e gestos inesperados.

- Um ano para aceitar sempre uma mão estendida.

- Um ano para sorrir, rir, gargalhar, muito!!!

- Um ano para pagar as minhas contas a horas.

- Um ano para quando rezar, não rezar para pedir coisas mas sim para agradecer e pedir sabedoria e coragem.

- Um ano para dar ás pessoas uma segunda oportunidade.

- Um ano para tomar decisões de cabeça limpa, nunca quando me sentir cansada ou nervosa.

- Um ano para respeitar todas as coisas vivas, especialmente as indefesas.

- Um ano para dar o meu melhor no trabalho, para ter prazer em fazer bem feito.

- Um ano para ser humilde, principalmente nas vitórias.

- E finalmente, um ano e um tempo para ter sempre esperança, para mim, e para dar pois jamais devemos privar alguém de esperança. Ás vezes é só isso que uma pessoa pode ter.

Feliz 2007! Que a entrada no ano novo seja feita em grande estilo!! Eu pelo menos vou tentar.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

O após...


Ainda é Natal... Ainda!! A quem não desejei, cá fica, FELIZ NATAL!! Ainda não acabou o dia, por isso cá fica o registo.
Para mim, apesar de ainda faltarem alguns minutos para o dia se dar por terminado, o Natal já lá vai. Confesso que este ano o espírito andou um bocadinho longe de mim. O Natal, no meu entender, é sempre sinónimo, não de prendas, compras e afins, mas de família reunida, almoços e jantares, filhoses. Este ano, apesar de ter isso tudo reunido, faltou algo. Não o consigo traduzir por palavras, tão pouco o sei explicar, dar-lhe uma razão ou um fundamento. Não sei se se deve à ausência do meu irmão, que está a muitos milhares de quilómetros daqui, se aos problemas de trabalho que tive nos últimos tempos, mas a verdade é que este ano o Natal soube menos doce, menos aconchegante, menos cheio de gargalhadas e rolhas de champanhe a saltar.Tive a ceia de Natal, com a família(muito reduzida este ano, é verdade), até a missa do galo não faltou. Falei com o meu irmão no outro lado do mundo, recebi dezenas de mensagens festivas, tive uma despedida calorosa por parte dos, agora, meus ex-colegas de trabalho, até recebi noticias de amigos com quem não falava há anos...
Continuo com a sensação de que o espírito natalício este ano não quis nada comigo. Não importa, sei que o mais importante, o que realmente importa, está aqui, ao meu alcance. Está aqui tudo o que me faz feliz. E se alguma coisa faltar, sei que há-de vir, se não agora, mais tarde. Mas sei que vem.
Por isso, nesta "ressaca" pós Natal, só posso desejar que tenha sido um grande Natal, para todos, e se há por aí alguém que como eu não se sentiu tão entrosado no espírito, paciência, pró ano há mais, e como dizem, Natal é quando um Homem quiser, certo?

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Autumn leafs... autumn leaves...


Hoje é o último dia de Outono.
Há uma cama de folhas lá em baixo no parque. Todos os dias, na minha caminhada matinal para mais um dia de trabalho, me embrulho com elas no pensamento. Deito-me ao chão para sorver o cheiro da terra, para me envolver com o calor deste sol que brilha lá ao alto.
Foi-se a chuva, o dilúvio. Foram-se os passos apressados das gentes. Veio o frio e o sol para dar alma e brilho aos dias.
E amanhã... Bom dia Inverno, bom dia!!
E já a saudade do castanho-ouro das folhas, já a melancolia amena do vento me doem sem querer...
As folhas do Outono...
O Outono que me deixa... e com ele a quietude.
Até breve.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Nada do todo, tudo do imperfeito. Nada de certo, tudo da contingência.





Esta pessoa hoje não tem vontade de palavrear, só de sentir.
Boa semana a todos!


P.S. O cachecol cor-de-laranja... sugestão aos sentidos, recordação da noite fria e do calor dentro de nós...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

... em ti

Na claridade deste dia suspenso em ti, descubro-me vestida de desejo, de ânsia do toque, da boca, do odor, das palavras, dos olhares, do calor, do aconchego da tua presença.


Deixa-me embrulhar em ti... perder-me em ti... e depois, encontrar-me, em ti, ainda em ti...


Gosto, gosto muito. Desta banda, deste som, destas palavras, destas sensações...

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Sem Palavras...


Às vezes é assim, fico sem palavras. Fogem, escorrem-se-me das mãos, varrem-se-me do horizonte mental, até se me somem do meu sentir...
Hoje é um desses dias. Há uma imensidão de sentimentos dentro de mim, um desaguar de impressões e momentos que se colam ao meu reconhecer.
Hoje não sei traduzir o que sinto. Hoje não alcanço o meu silêncio e quietude interiores necessários ao meu palavrear habitual.

Hoje é dia de mim, é dia dos meus passos atrapalhados, das minhas mãos trémulas... É dia da minha boca suspensa num beijo truncado, ainda incompleto... É dia de respirar o teu cheiro em cada esquina... É dia de ter o coração aconchegado na memória da tua mão na minha... É dia de confessar a minha quase rendição... É dia de paz e de espera... E é dia de sol em mim...
Hoje deixo-me ir. Hoje não penso. Hoje sinto e engulo o medo sem culpa. Hoje esqueço o mundo e as suas amarras. Hoje sou livre. Hoje sou feliz, suspensa em ti...

Hoje... mesmo sem palavras.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Na Terra dos Sonhos

"Se queres ver o mundo inteiro à tua altura

tens de olhar para fora,

sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar.

E se às duas por três vires que perdeste o balanço

não penses em descanso,

está ao teu alcance,

tens de o reencontrar.
Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és,

ninguém te leva a mal.

Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente

toda por igual.

Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas,
ninguém se pode enganar.
Abre bem os olhos,
escuta bem o coração,
se é que queres ir para lá morar"

Solta-se o pó das minhas entrelinhas...
Sacudo a roupa da cama, arrumo a casa, abro as janelas ao dia. Deixo o sol mimar-me o rosto ainda a sonhar.
Saio para a rua com a alegria a correr-me atrás, a beliscar-me e a puxar-me as madeixas de cabelo. Abro os braços à rua que se desata à minha frente, à timida sinfonia da agitação citadina, aos rasgos amotinados da rotina desta gente.
E de súbito abrem-se os olhos e a verdade, abrem-se as portas da sinceridade do meu coração... e vejo-me longe, tão longe, já vou lá em cima, asas abertas, olhar triunfante.
Sou aqui e ali, destino e saudade...

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Magia

Magia: fascinação, encanto.
Mágico: que encanta, que seduz, extraordinário, fantástico...

O meu Deus, aquele que me acompanha, que é homem e mulher, que é cor e sabor, abre-me as mãos e delas se soltam estrelas cintilantes aos meus olhos satisfeitos e inundados de beleza. Em cada gesto e em cada som do meu caminhar, em cada prazenteiro dedilhar de cordas das harpas dos anjos, em cada suspiro, em cada palavra, em cada tonalidade do arco-íris, descubro a magia do contínuo encanto de estar aqui, de ser isto, carne e sangue, alma e espírito.
É a magia do ser, é o dom da entrega pura aos sentidos.
É doce e amargo, é paz e tormento, é quente e frio...
Banal e extraordinário... Que mais? Enunciam-se-me as palavras,nascem-me as imagens no horizonte mas já não basta, perde-se o sentido... Nenhuma palavra para isto, nenhuma cor, nenhum sabor...
A magia da vida não se explica nem justifica, é uma verdade pura e incontornável, de uma intensidade bruta, pujante e louca...
E mágica é a minha marcha, o meu caminhar, feito de brilhos e luminescências, de pedaços meus e dos outros, de poesia risonha e por vezes melancolica.
Estrelinhas de prata que me chovem no regaço...

Obrigada aos amigos, aos conhecidos... tantos miminhos que me inundam os olhos. Sinto-me mais aconchegada, mais amparada, mais amada... Se isto não é magia, não sei o que será!

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Coisas boas, coisas perfeitas



Há momentos assim, perfeitos, puros e tão inesperadamente e surpreendentemente arrebatadores...

Quando as palavras dos outros se cruzam com as nossas e se enredam primorosamente, como se aquela torrente de sons fosse uma e única voz...

Quando o sol consegue espionar um bocadinho por entre as nuvens destes dias cinzentos e me irradia no rosto a luz inteira do mundo...

Quando, distraída e sorridente comigo mesma, me dou conta da esperança que tropeça em mim na calçada,que vem embalada nos olhos de alguém desconhecido que tímidamente me sorri com o olhar...

Quando, atravessando a rua debaixo do dilúvio outonal desta cidade que se afadiga na sua quietude fingida, o mundo pára por um instante dentro de nós para ver passar a vida, levada na corrente, pacífica e contente no seu traje de gala, qual madame no seu trajecto para uma qualquer vernisage...

Quando o tédio me grita aos ouvidos e a luz do ecrã me cansa, me dói e me enfada e do nada cheio de que se fazem as surpresas doces me chegam notícias que não eram esperadas, banhadas em esperança e insufladas de ar cor-de-rosa...

Quando fecho a porta do carro e respiro fundo para mergulhar finalmente em mim, finalmente no sossego do meu íntimo, na calmaria do silêncio interior do fim do dia...

Quando me sento encostada a mim, aninhada no meu descanso, surda para o todo e de olhos arregalados à amena e doce incerteza de que se constrói a minha vida...

Coisas boas, coisas perfeitas... assim provo da vida que conheço, que vou desenrolando, fio a fio... que vou apertando nas mãos e saboreando, que vou chorando e rindo... que vou arriscando, às vezes magoada, às vezes feliz...

Coisas boas, coisas perfeitas...

E o que é a perfeição senão um conjunto de diversas e variadas imperfeições?

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Se eu fosse...


Encontrei este texto num outro blog e resolvi adaptá-lo à minha pessoa, é um exercício engraçado, confesso que levei algum tempo a completá-lo...
Cá vai:
- Se eu fosse um mês, seria Maio, porque é o mês do meu aniversário e porque acho que é o mês mais bonito do ano, das flores...
- Se eu fosse um dia da semana, seria sexta-feira porque acaba a semana de trabalho e há tempo para tudo...
- Se eu fosse uma hora do dia seria o finzinho do dia, o deitar do sol, o acordar da lua...
- Se eu fosse um planeta ou astro, acho que tinha que ser a lua, que se revela a nós através de diferentes fases...
- Se eu fosse uma direcção, seria o Este ( porque de onde me encontro, é a direcção do mar...)
- Se eu fosse um móvel, seria um sofá, grande e confortável para servir de ninho a quem nele quisesse descansar...
- Se eu fosse um líquido, seria talvez àgua com gás, borbulhante...
- Se eu fosse um pecado, neste momento, concerteza que seria a luxúria...
- Se eu fosse uma pedra,... dificíl, as pedras são inanimadas, mas talvez um quartzo rosa, que é a pedra do meu signo...
- Se eu fosse uma árvore, seria um carvalho...
- Se eu fosse uma fruta, seria um ananás, agridoce...
- Se eu fosse uma flor, seria uma magnólia, linda...
- Se eu fosse um clima,... não consigo escolher esta...
- Se eu fosse um instrumento musical, seria um violino...
- Se eu fosse um elemento, seria a terra, pois dela vimos e a ela voltaremos...
- Se eu fosse uma cor, seria o laranja, forte, quente...
- Se eu fosse um som, seria o marulhar das ondas na areia...
- Se eu fosse uma música, seria o instrumental do Angelo Badalamenti para o Twin Peaks... identifico-me muito com esta sonoridade...
- Se eu fosse um estilo musical, seria uma mistura de vários, impossível ser um só...
- Se eu fosse um sentimento, seria o encanto...
- Se eu fosse um livro, seria uma antologia de poemas do Eugénio de Andrade...
- Se eu fosse uma comida, seria um qualquer prato de massa...
- Se eu fosse um lugar, seria uma praia, sem qualquer dúvida...
- Se eu fosse um gosto, seria...salgado...
- Se eu fosse um cheiro, seria a magnólias...
- Se eu fosse uma palavra, seria cálida...
- Se eu fosse um verbo, seria sentir...
- Se eu fosse um objecto, seria uma esferográfica...
- Se eu fosse uma parte do corpo, seria as mãos, para tocar e tocar, para sentir...
- Se eu fosse uma expressão facial, seria um sorriso aberto...
- Se eu fosse uma personagem de desenho animado, seria a Alice no país das Maravilhas... ou talvez a Ana dos cabelos ruivos...
- Se eu fosse um filme, seria uma mistura de "Beleza Americana", com o "Magnólia" e o "Despertar da Mente"...
- Se eu fosse uma forma, seria um circulo, cheio, como a lua...
- Se eu fosse um número, seria o 2, é o número perfeito...
- Se eu fosse uma estação, seria a Primavera, com todas as suas cores, e o Outono, com o seu cheiro a terra molhada e a vento...
- Se eu fosse uma frase, seria "Sou daqui e de todo o lado..."

sexta-feira, dezembro 01, 2006


"Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus."

Eugénio de Andrade


Apeteces-me... hoje... ontem... avidamente! Ainda que a minha postura minta, ainda que o meu olhar fuja, ainda que as minhas mãos se escondam e se contorçam, ainda que a minha boca me cale o desejo...

Ainda que o meu olhar se prenda no teu, consegues sentir?

Rasga-me esta máscara por favor... está a sufocar-me e não me deixa mostrar-me, não me deixa tocar-te, nos gestos e nas palavras... se tu me deixares, se tu quiseres... Se tu sentires.

Os meus ses...

terça-feira, novembro 28, 2006


" E é assim que a noite chega, e dentro dela te procuro, encostado ao teu nome, pelas ruas álgidas onde tu não passas, com a solidão aberta nos dedos como um cravo."
Eugénio de Andrade


Perguntam-me do tempo. Sei lá eu do tempo!

Perguntam-me das horas. Soubesse eu...


Tremo na minha inusitada desconfiança, na minha dúvida e na minha espera... se eu pudesse trancar a cor e a vontade que se me inflamam no coração...
Os ses e os porquês da minha vida, os mas e os também da minha calma aparente...
Desvia-te de mim ó fragilidade, deixa-me só e plácida no meu contentamento sóbrio.

domingo, novembro 26, 2006

Profundamente! Calidamente...
Fogo preso dos sentidos, mãos trémulas que me tangem em sonhos desconexos. Sou perdida e contente no meu gosto, no meu sabor.
Ah...! esse gosto a mar que não me larga, essa dúvida latente de júbilo!
Como seria...
Odor de pétalas e magnólias, pronúncio de vida em brasa. Na minha boca e no meu olhar, na minha cama, no intervalo dos meus lencóis de seda, no meu chão.
Tu que me ardes no peito, tu que te insinuas na minha pele, presta atenção a estas palavras diáfanas, a este sentir irrequieto, a esta paz incerta e por vezes lenta e vagarosa. Escuta a música do meu falar silencioso, o restolhar de movimentos, o agitar perfeito e sincronizado deste corpo fervilhante de desejo e luz.
Some-se o mundo, somem-se as imagens... ficas-me tu e este cenário luminescente.

sexta-feira, novembro 24, 2006


"Atravessamos o presente de olhos vendados. No máximo, conseguimos pressentir e adivinhar aquilo que estamos a viver. Só mais tarde, quando se desata a venda e examinamos o passado é que nos apercebemos daquilo que vivemos e compreendemos o seu sentido."


Estou a começar a ler este livro, "O Livro dos Amores Risíveis", do Milan Kundera, e não resisti a folheá-lo antes de mergulhar nas suas páginas de forma mais concreta, e deparei-me com estas palavras. Pareceu-me uma boa passagem, algo a reter, algo para lembrar, para tentar ser ao contrário...
Bom fim-de-semana!

quinta-feira, novembro 23, 2006

Dualidade

Esta é uma daquelas semanas em que parece que tudo é possível.

A normalidade, ou o hábito(chamem-lhe o que quiserem) tem o mau costume de fazer a vida correr a um ritmo tão insípido que dou por mim quase inerte ao fim do dia. Sinto-me embrutecida. Como se o peso das horas laborais, sentada a uma secretária, me toldassem o racíocinio e a visão. Chego ao final da tarde embriagada pela luz do ecrã do computador e com a mente em piloto automático, completamente alheada da realidade, absorta em pensamentos desconexados. Isto são os meus dias. E eu queixo-me que não acontece nada de extraordinário, que a vida corre lenta e insossa, que os dias do fim da semana são sempre os mais aprazíveis. Mas esta semana...

Esta semana começou doce. Isto é, se considerar que a semana começou ao Domingo, então a semana começou de forma aveludada, mas simultâneamente agitada, ao sabor da descoberta de sensações e sentimentos novos e desconhecidos. Depois houve ali um ligeiro voltar ao mesmo, mas depois, depois tem sido um alvoroço!

São voltas, são reviravoltas, são novidades, são decisões tomadas, segredos guardados... uma festa para os sentidos! Em alguns dias a minha vida levou um abanão, como se finalmente alguém tivesse escutado os meus apelos e tivesse decidido satisfazer os meus desejos. Há uma expressão que diz "cuidado com aquilo que desejas, podes consegui-lo". Se calhar estou a sofrer dessa maldição... Ou então é mesmo assim, quando acontece algo, os acontecimentos seguintes sucedem-se, como se se tratasse de uma reacção em cadeia.

Frenética, é esse o meu estado de espiríto. A vantagem(ou não), é estar aqui presa a esta jaula(é o mesmo que dizer secretária) e não poder dar largas à minha turbulência sentimental e física. De contrário acho que saía por aí a beijar as pessoas e a dançar à chuva, e mais umas quantas coisas que me vêm agora ao pensamento...
Apetece-me desligar o mundo.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Eu, assim...


Gosto de me ter assim, encostada em mim, quieta e calada, recolhida e muda para o mundo.

A chuva escorre do lado errado da janela. Preferia que ela se viesse aquietar comigo, que me viesse fustigar o rosto e limpar os vícios. Canta baixinho para me arreliar, e se eu a ignoro, ri-se de mim. Metamorfose do meu improviso, deito as mãos à cara: julguei-me rendida! Julguei-me triste, enferma nos sentidos, quebrada, quando afinal... A minha enfermidade é outra, fruto da quietude, desta incerteza , desta ausência tão cheia. Fruto desta chuva morna, deste vento húmido que me traz à memória dos sentidos fragmentos de júbilo e agitação. O meu coração pulsa, a minha pele desdiz-se...

Abalam-se os passos por entre a chuva miúda, apresso-me adentro do meu íntimo por me encontrar, por descobrir quem sou e o que sou. Já não me interessa o tempo que passou, já não me dói a indecisão. Propago-me por mil universos de beleza e dilúvio de paixão. Sou assim, cheia, desmedida de mil cores, de mil odores. Sou parte do todo e dona da vida, da minha existência cálida, frenética. Sou água e fogo, vento e terra, perdição e reencontro. Sou o dialecto da realidade oblíqua do meu corpo. Sou a soma e as partes.

E se um dia fechar os olhos, ainda assim sentirei, com a alma e o gosto, com a dor e o improviso, o horizonte que habita a minha verdade. E a minha verdade é esta, crua e sincera, por vezes latente, por vezes dissimulada, muitas vezes mascarada.

Eu sou assim...

sexta-feira, novembro 10, 2006

Desejo



Desejo...
Queria enrolar-me no teu corpo de mar, provar o teu gosto de lua cheia, sentir o teu toque, quente e profundo. Queria deixar o meu sal na tua pele, embrenhar-me nos teus lençóis de veludo, abotoar os teus braços nos meus. Queria morder a tua boca ávida, sentir-te dentro de mim, sentir-nos, reconhecer-nos, apertados, embrulhados no nosso segredo, livres do mundo e de toda a gente.
Queria dizer-te tudo o que tu queres ouvir, tudo o que sempre me senti incapaz de enunciar, estas palavras que me enchem o peito, que me sufocam o âmago, que estão à tua espera para serem finalmente e afinal proferidas.
Quero ser eu, plenamente, para depois poder ser o que tu quiseres que eu seja. Quero voar nas tuas asas e sentir o mundo como tu o sentes. Quero ver o sol a deitar-se enquanto tu me seguras nas mãos e me suspiras ao ouvido ditos frágeis e macios, doces... Quero ser constelação, tua estrela guia nas horas mais sombrias. Quero um banho de mar, beijado pela lua e amparado pelas tuas mãos, em gestos de ternura denunciada, intensidade de luz difusa do teu olhar.Quero parar o tempo por um breve instante, breve instante de um beijo brando, intenso de fogo e alucinação. Quero entregar-me a ti, sem medos e sem pudores, plenamente, serenamente, graciosa denúncia de desejos lascivos, devassos...
Quero-te aqui, para que ouças o meu coração, para que ouças a minha música, para que a tua pulsação se me entranhe e me desperte, para que o teu toque e o teu odor de mar e planicie me desnorteiem os sentidos e me façam cair, em ti, para sempre, neste sonhar que me transforma, nesta casa de mil desejos, nesta nobre lucidez de me ter presa ao teu nome.
Desejo...


" E portanto, só aí se encontram, no acto do amor, no chamado amor, essa linha divisória entre a terra e a água, essa frágil linha do horizonte entre o mar e o céu, encontram-se aí, bailarinos, acrobatas do arame, próximos, aproximados nesta relação, a relação sexual, a única que tem sentido, se não há relação. Estamos sós. As questões permanecem vãs, e vãos são os apelos. "Onde estás diz o sonho. E tu vives ao longe... e o que sei eu ainda dos caminhos até ti? Ó face amorável, longe do limiar... Onde combates tão longe que eu não esteja? Em prol de que causa que não é a minha? Onde estás tu diz o sonho. E tu não tens resposta."
Porque estás tão longe? Porque sempre arrastado para outro lugar, para que lugar? Porquê? Acaso esta viagem tem um sentido, uma meta? Terá verdadeiramente nascido do mar e desejoso de nele navegar para sempre? Será verdadeiramente esse nómada de fonte pura, "obcecado por coisas remotas e maiores"? Que coisas, porquê, no que penso? O seu mundo é mais vasto do que o silêncio onde eu grito? É forte, nobre, altivo? De quê? Porquê? Qual a sua natureza e para onde vai o meu amor? Para o corpo de atleta, para a opressão do amo ou o ciúme do Deus? É poderoso, é fraco? Existe sem mim, sem o maior de mim, verdadeiramente? E se o mar o levar, para onde vai que eu não esteja, para que lugar que eu ignore? Será uma viagem ou uma astúcia, uma falsa partida? E se o mar o levar, será que a morte o traz? Volta? Voltará? De onde? De onde vem quando vem, quando diz "Eu venho". É assim tão longo, assim tão longe? "Um passo em mim se afasta", é o seu? Para onde vai? Onde está? Quem é?
E tu, não tens resposta."

Camille Laurens




sexta-feira, outubro 27, 2006

A quem interessar

De volta aos posts, mas desta vez só para, mais uma vez, agradecer a quem me tem deixado (poucos, mas bons) comentários neste meu blog. Desta vez, quem deixou o comentário não o assinou, mas suponho que tenha sido a mesma pessoa. De qualquer forma, e a quem me refiro, obrigada.
Infelizmente, os comentários têm sido muito escassos, aliás, quase nulos. Não que isso me espante, mas ando sempre a "chagar" a cabeça aos meus amigos para me virem deixar um miminho, mas... nada. Enfim, se calhar tenho de ser mais insistente.

À espera...

quarta-feira, outubro 25, 2006

Elogiar o Amor



O Miguel Esteves Cardoso tem um texto muito curioso acerca do amor que eu gosto particularmente. Ás tantas diz: " "Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.(...)Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental"."

Depois de ler este texto várias vezes, e pegando nas próprias palavras de MEC, saiu-me assim:
E eu digo:também eu percebo pouco do que tenho para dizer, mas também eu tenho que o dizer.Ainda há quem se apaixone de verdade. Ainda há quem queira viver um amor impossível, se é que o amor pode ser de todo impossível. Ainda há quem aceite amar sem uma razão válida. Ainda há quem se apaixone quase por acaso, quando não dava jeito nenhum... Há quem se apaixone por quem não está ao seu alcance, por quem está perto mas ao mesmo tempo tão longe...Há quem se apaixone por estranhos, no meio da multidão, em encontros fortuitos, em noites loucas, em que no meio da fantasia dos outros se inventa uma nova forma de amar, mesmo que não faça sentido algum para o resto do mundo. E fica-se com essa noite marcada, fica-se com a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desiquilíbrio, o medo, o custo, o amor, enfim, a tal doença que é como um cancro que se alimenta do coração e ao mesmo tempo nos canta no peito. Essa beleza, esse perigo...Não se percebe, pois não... nem perceberá nunca.A alma corre atrás do que não sabe, justamente porque não sabe, e não sabendo,corre, corre porque acredita...Ainda há pessoas assim, acreditam?
Aquilo que se me escapa das mãos, o meu coração guarda...

segunda-feira, outubro 23, 2006


Normalmente costumo deixar posts com ditos e escritos de outras pessoas, até porque a maior parte das vezes é mais fácil expressar-me pelas palavras dos outros, quando eu própria não consigo encontrar correspondência ao que sinto dentro de mim, ou simplesmente porque não tenho disponibilidade para escritos de carácter pessoal e mais intimistas.
Hoje, ao contrário, apetece-me ser eu a pôr em palavras aquilo que me vai passando pelos olhos e sobretudo pelo sentir( e a maior parte das coisas sinto-as porque as vejo - sou uma criatura muito visual).
Começou ontem. Primeiro foi só um leve baque no coração, muito de leve. Depois foi uma lágrima insuspeita a romper o meu olho. No minuto seguinte a primeira transformou-se numa torrente de outras lágrimas que teimosamente insistiam em brotar, desta vez, dos meus dois olhos. E aquilo continuou de tal forma que me forcei a pôr as mãos á boca para sufocar um soluço, que de tão impetuoso se converteu num pranto. E foi aí que senti. Uma dor no peito, uma angústia que eu julguei perdida, uma ausência intranquila que tinha prometido a mim mesma esquecer, deitar para o passado. E tudo isto porquê?

É dificíl explicar porque é que ao ver um filme, que ainda por cima, supostamente, é um filme sobre esperança, sobre a vida, sobre como as coisas mais simples dão sentido á existência humana, me fui de súbito encontrar num queixume, numa aflição dos sentidos. Foi como se, de um segundo para o outro, algo dentro de mim tivesse acordado, algo que lá estava há muito tempo, quieto e silencioso, á espera de uma oportunidade de se revelar. E saiu-me assim...
Sou uma pessoa que me emociono muito facilmente, de lágrima fácil, no entanto, sou muito contida, tanto que sou incapaz de chorar numa sala de cinema. Por mais dramática que sinta uma cena, sou incapaz de deitar uma lágrima, e por muito que as minhas expressões me denunciem o que me vai na alma, a presença de outras pessoas inibe-me de tal maneira, que acabo por sair do cinema com um nó apertado na garganta. Por isso o episódio de ontem. Porque estava sozinha, porque sozinha me vi de repente, e de repente isso causou-me desconforto. E percebi que andava há muito tempo a conter-me.
E isto assusta-me. Assusta-me sobretudo porque me emociono com coisas simples, tão simples que tenho pavor que as coisas realmente importantes não me toquem, não me façam sentir nada. Claro que isto é fruto de anos a conter as emoções, e depois dá nisto. Mas o que me assusta realmente é não sentir nada. É que quando se luta por esconder certos estados de espiríto, com o passar do tempo, começas-se a acreditar que de alguma forma nos tornámos assim, apáticos, sem que nada nem ninguém nos afecte.

E o filme que me fez pensar nestas coisas todas e me fez sentir tudo isto foi "O Fabuloso Destino de Amélie". Bonito ( de conteúdo e visualmente - excelente fotografia), simples e sobretudo, doce e encantador. Já o tinha visto uma vez, mas acho que só ontem o entendi de uma forma mais pura, talvez porque estava sozinha.
Um outro filme que quase, quase me fez chorar foi "O Trige e a Neve". O Roberto Benigni, para mim, é assim uma espécie de anjo disfarçado de homem-palhaço ( sem conotações negativas), que transforma a desgraça num motivo de riso. Já o tinha feito em "A Vida é Bela" e com este novo filme, pegando de novo numa situação real, introduz-lhe uma história de pessoas normais( ou não) num cenário que lhes seria á partida estranho, para daí construir uma simples história de amor, em que a esperança e a coragem, sempre num registo muito leve e comovente, nos tranportam para lugares desconhecidos dentro de nós, lugares onde nos apetece ir mais vezes. Comigo foi assim. Dei por mim de lágrima no olho ( e não estava sozinha!!, apesar das outras três pessoas que me fizeram companhia não terem estado presentes durante todo o filme, e uma delas ter adormecido no final - justamente na melhor parte), e desejei sentir o que senti naqueles momentos mais vezes, muitas mais vezes.

No final, acabei por não chorar, mas já foi qualquer coisa...

Mais venham assim.

segunda-feira, outubro 16, 2006

... só falta ...


Um belo dia resolvi mudar

E fazer tudo o que eu queria fazer

Me libertei daquela vida vulgar

Que eu levava estando junto à você

E em tudo o que eu faço

Existe um porquê

Eu sei que eu nasci

Sei que eu nasci pra saber

Pra saber o quê

E fui andando sem pensar em mudar

E sem ligar pro que me aconteceu

Um belo dia vou lhe telefonar

Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu

No ar que eu respiro

Eu sinto prazer

De ser quem eu sou

De estar onde estou

Agora só falta você

Agora só falta você

Agora só falta...


Maria Rita

segunda-feira, outubro 09, 2006

Soneto

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?
Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.
Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.
Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

José Carlos Ary dos Santos

domingo, setembro 24, 2006


Estou aqui mas não estou... Sinto as coisas mas elas não me modificam, antes me beliscam, riem-se de mim... Estou aqui mas a minha alma e o meu sentir andam por aí perdidas, entre o som da voz dos outros, entre o sopro do vento, entre as lágrimas de ontem e os suspiros de amanhã... Invadiste o meu sono outra vez, como se o teu corpo aqui estivesse... como se ainda fossem as tuas palavras que me fizessem virar a face à solidão. Mas este sonho foi diferente, mais cruel de tão real ... Vi-nos tão claramente, senti-nos, como se fosse de verdade. Senti o teu cheiro, o toque da tua boca na minha pele, a temperatura das tuas mãos no meu peito... E a luz do teu sorriso, e o brilho do teu olhar... E acordei na minha cama vazia e a realidade atingiu-me brutalmente. E poisei os pés no chão frio e desejei com todas as minhas forças que este fosse o teu chão, a tua cama e o teu corpo.

sábado, setembro 23, 2006


"Há momentos que nos ficam para sempre, que guardamos em segredo e no silêncio, para nada nem ninguém lhes possam tocar. São só nossos. A sua importância é incomensurável e por isso pertencem a outra dimensão. A dimensão rara e perfeita que se sente em certas músicas ou em tardes de Verão, em que nós somos mesmo nós e, apesar disso, conseguimos estar em paz."

E assim me sinto quando fecho os olhos no meu silencio e acredito... se valer a pena acreditar... e esperar... sem desesperar.

terça-feira, setembro 19, 2006

Resposta...

Para Aghar:
Não sei quem és mas obrigada pelo comentário. Não sei como o hei-de interpretar, mas gostei muito.
E podes continuar a deixar mais comentários por favor, ao menos alguém...

terça-feira, setembro 05, 2006

Sombra

Nos meus sonhos não te consigo ver o rosto. Vejo a tua mão na minha, o teu olhar no meu, o teu andar acompanha o meu e o teu corpo encaixa no meu. Não sei o teu nome, nem sei de que cor são os teus olhos. Não sei de onde vens nem para onde vais. Não sei se ja te vi ou se ás só um sonho teimoso. Não sei se ás alto como eu gostava que fosses, nem sei se tens um olhar doce, como eu espero que tenhas. Sei que sonho contigo, quando estou a dormir e quando estou acordada, bem acordada. Sei que existes, mas não sei se perto, se longe. Sei que me vais fazer sorrir e sei tambem que o meu sorriso vai iluminar o teu olhar. Sei que sem nunca nos termos encontrado e nos termos tocado, nos sentimos um ao outro. E até sei que no dia que tiver que ser, vamos olhar um dentro do outro e reconhecermo-nos e perceber que chegou a hora, que finalmente chegamos a casa... Se calhar até já nos conhecemos. Se calhar cruzo-me contigo todos os dias, ou se calhar já estivemos na mesma sala, em momentos diferentes...

É Isso Aí


















"É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre

É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua


Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredita em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade

É isso aí
Um vendedor de flores
Ensina seus filhos
A escolher seus amores"

quarta-feira, agosto 30, 2006

Sucedeu Assim...


E porque alguém teve a muito feliz ideia de me (re)lembrar deste poema lindissimo, cá vai:


Assim,Começou assim
Uma coisa sem graça
Coisa boba que passa
Que ninguém percebeu

Assim,
Depois ficou assim
Quiz fazer um carinho,
Receber um carinho,
E você percebeu

Fez-se uma pausa no tempo
Cessou todo meu pensamento
E como acontece uma flor
Também acontece o amor

Assim,
Sucedeu assim,
E foi tão de repente
Que a cabeça da gente
Virou só coração
Não poderia supor
Que o amor nos pudesse prender,
Abriu-se em meu peito um vulcão
E nasceu a paixão
Tom Jobim

P.S.: muito obrigada Pedro!

terça-feira, agosto 15, 2006

Quebrámos os Dois

Era eu a convencer-te que gostas de mim
e tu a convenceres-te que não é bem assim...
Era eu a mostrar-te o meu lado mais puro
e tu a argumentares os teus inevitáveis

Eras tu a dançares em pleno dia
e eu encostado como quem não vê
Eras tu a falar para esconder a saudade
e eu a esconder-me do que não se dizia

... afinal quebramos os dois...

Desviando os olhos por sentir a verdade
juravas a certeza da mentira
mas sem queimar demais
sem querer extinguir o que já se sabia

Eu fugia do toque como do cheiro
por saber que era o fim da roupa vestida
que inventara no meio do escuro onde estava
por ver o desespero na cor que trazias...

... afinal quebramos os dois...

Era eu a despir-te do que era pequeno
e tu a puxares-me para um lado mais perto
onde contamos histórias que nos atam
ao silêncio dos lábios que nos mata...!

Eras tu a ficar pors não saber partir...
e eu a rezar para que desaparecesses...
Era eu a rezar para que ficasses..
e tu a ficares enquanto saías.
... não nos tocamos enquanto saías.
não nos tocamos enquanto saímos.
não nos tocamos e vamos fugindo
porque quebramos como crianças

...afinal quebramos os dois...

...e é quase pecado o que se deixa...
...quase pecado o que se ignora...


Toranja

quinta-feira, agosto 10, 2006

Saudade...


Saudade é uma palavra ambigua, uma palavra ás vezes doce, ás vezes amarga, que me sopra na pele e me desnorteia os sentidos... O tacto perde-se na luz do acordar, o cheiro de ontem entranhado na almofada, e o sonho preso nos meus olhos, como de verdade, como contigo aqui... Ai que regaço me acolha esta solidão, esta saudade de me lembrar de ti, esta pausa na memória, esta ânsia de alguma coisa que me traga o teu calor outra vez!
Que uivos de melancolia rasgam o silêncio parado do meu quarto, que palavras velhas e gastas me enganam e me mentem ao ouvido? Quem sou eu perante a tua sombra? Quem me salva de mim? Vai longe, sê longe! Não me vejas mais, não te insinues no meu sono, não subas o muro da minha mentira para me deixares depois esquecida, ...
Saudade, ai que saudade... do que podia ter sido... do que não foi... e do que senti...
Saudade do teu gosto, e das tuas mãos, e da tua força, e do aconchego de teu regaço...
Saudade de uma sombra, de um momento...

segunda-feira, julho 10, 2006

Canção Grata


Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouca
Noites de insónia
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor obrigada
Obrigada por tudo o que me deste

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Florbela Espanca
Hoje, este soneto serve para a alegria e para a tristeza.
Serve para a alegria de ver regressar a nossa selecção que tao bem nos representou e tanto nos fez vibrar, saltar, rir e chorar, que tanto me fez acreditar no sonho possivel, que em muito nos fez sentir grandes, apesar de tao pequeninos.
E para a tristeza porque ontem morreu alguém que era o mundo para uma grande amiga minha. E eu sei que a vida é muito injusta e as pessoas só deviam desaparecer já muito velhinhas... mas aconteceu. Não conhecia a pessoa em questão, mas pelo facto de uma pessoa tão jovem ter partido assim faz-me pensar na minha vida e na dos que me rodeiam e tentar olhar o horizonte e tentar acreditar que isto tudo é um plano muito bem traçado, que cada grão de vida neste planeta tem a sua função. Respirar é uma bencão, vou tentar lembrar-me disso mais vezes.
S.

sexta-feira, julho 07, 2006

Saudades


Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca

quarta-feira, maio 17, 2006

Há tanto tempo que não escrevo nada... Também não tenho tido muito tempo. Mudei de emprego e, apesar de passar o dia todo em frente ao computador, é complicado ter tempo para vir aqui. De qualquer forma, vou tentar passar por aqui mais vezes.
Segunda feira fiz 26 anos, por isso, PARABÉNS para mim!! Estou a ficar velhota;) Agora até aos 30 é um instante, ai, ai...Mas enfim, o tempo passa e temos é que aproveitar todos os momentos, nunca se sabe se amnhã ainda por cá andamos.Estar vivo é tão bom!
Hasta!
S.

quarta-feira, abril 05, 2006

Cada Vez Mais Aqui
















"Queres lutar com quem?
Para doer aonde?
Para ser o que?
Achas que ninguem ve?

E para que fingir?
Porque mentir e remar na dor?
Achas que ninguem ve?


Tambem eu queria parar...
chorar
cair... para me levantar,
para te puxar!
Te fazer sorrir...
nao voltar a cair!

Nao me olhes assim!
Continuo a ser quem fui!
Cada vez mais aqui...
nao dances tao longe..!
...que eu ja te vi

Tambem eu queria parar...
chorar
cair... para me levantar,
para te puxar!
Te fazer sorrir...
nao voltar a fugir!"


Toranja

domingo, abril 02, 2006

Desabafo


Queria que as coisas não fossem assim. Não queria ter este sexto sentido, esta percepção das coisas mesmo antes de elas acontecerem... Mesmo que finga, as coisas estão ali, para eu as descobrir, mesmo quando não as quero ver.
Ontem tive a confirmação daquilo que eu já sabia, só tenho pena que as pessoas sejam tão cobardes. A desculpa de não nos quererem magoar é tão confortável... para quem tem de ter a coragem de ser verdadeiro! A cobardia deixa-me um amargo na boca, uma sensação de vazio, desperdício. Quantas coisas se perdem pelo próprio medo de perder...
Não me querias magoar e acabaste por te refuguiar no silêncio, na distancia, se calhar pensando que assim era mais fácil... para ti, nunca para mim! Porque mesmo que eu já o soubesse, não precisavas de estratégias de diversão, ingenuamente acreditando que me farias acreditar...